Brasília, 09 (AE) - A quebra do sigilo telefônico de dois telefones celulares do ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo Nicolau dos Santos Neto revela que, entre 9 de outubro de 1996 e 17 de dezembro de 1997, foram feitas dez ligações para o senador Luiz Estevão (PMDB-DF). Os senadores que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário também foram informados que o empresário Fábio Monteiro de Barros Filho, dono da Construtora Ikal, fez 99 ligações para Estevão entre 1º de outubro de 1996 e 9 de agosto de 1998. O senador do PMDB presume que as ligações de Santos Neto sejam apenas tentativas de contato. Não foi possível obter a duração dessas chamadas.
A Ikal é a construtora responsável pela construção do Fórum trabalhista de São Paulo, investigada pela CPI. Estevão disse que as ligações realizadas por Barros Filho são normais entre pessoas que mantiveram negócios. O senador é dono do Grupo OK e teve relacionamento comercial com o sócio da Ikal Investimentos nas áreas imobiliária, agropecuária e de empréstimos.
A CPI detectou, entre 1994 e 1998, outras 490 ligações telefônicas entre empresas subsidiárias da Monteiro de Barros Investimentos e o Grupo OK. Os senadores ainda não conseguiram esclarecer uma dúvida que existe sobre o número de ligações feitas por Santos Neto a Estevão por meio de telefones fixos. A Telefonica, empresa que sucedeu a estatal Telecomunicações de São Paulo (Telesp), informou que foram 48 telefonemas. A Tele Centro-Oeste afirma que são apenas 29 ligações.
Estevão negou existir amizade entre ele e o juiz, mas admitiu ter recebido três ligações de Santos Neto. Segundo o senador, elas ocorreram em 20 de dezembro de 1994, 24 de dezembro de 1997 e 5 de outubro de 1998. "Somente encontrei o juiz quando apresentamos (Consórcio Augusto Velloso/OK) a proposta na licitação para a construção do Fórum trabalhista de São Paulo", disse. Sobre dois telefonemas recebidos, ele afirmou que foram por cortesia. Um deles, desejando feliz natal em 1997 e outro, parabenizando pela eleição ao Senado em 1998.
O senador do PMDB informou que está afastado da direção do Grupo OK desde 1994, quando foi eleito deputado distrital. Ele negou existir qualquer vínculo entre os negócios e as atividades de contratação e construção do Fórum trabalhista de São Paulo, investigadas pela CPI do Judiciário. A suspeita é de superfaturamento e desvio de dinheiro público. A obra consumiu quase R$ 300 milhões e está inacabada.
A Procuradoria da República em São Paulo investiga o suposto envolvimento do Grupo OK com os vencedores da licitação para a construção do Fórum trabalhista de São Paulo. O consórcio Incal Alumínios/Monteiro de Barros Investimentos e Décio Tozzi Arquitetura foi o vencedor. A proposta apresentada pelo consórcio Augusto Velloso/OK ficou em segundo lugar. Alguns engenheiros que trabalharam para o Grupo OK em São Paulo atuaram também na obra do Fórum trabalhista.
A construção de um prédio do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília, também envolve Barros Filho e Estevão. Segundo informou o senador, essa obra foi contratada junto ao consórcio formado entre a Construtora Moraes Dantas e a Monteiro de Barros. A Moraes Dantas desistiu do negócio e a OAB autorizou que o Grupo OK assumisse o compromisso.

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