Quatrocentas famílias de sem-terra montam acampamento em Palmeiras das Missões
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 7 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) montou hoje pela manhã um acampamento com 400 famílias em Palmeira das Missões, a 368 quilômetros de Porto Alegre. A operação é uma resposta ao acordo firmado ontem à noite entre a superintendência estadual do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), limitando as vistorias para fins de reforma agrária às propriedades que estejam à venda.
"A organização não está morta e vai pressionar pela reforma agrária", disse José Censi, da direção estadual do MST e coordenador da operação em Palmeira das Missões. Segundo ele, o MST não concorda com a suspensão do ritmo normal das vistorias
pois o Rio Grande do Sul tem "2,5 milhões de hectares improdutivos". Com a operação de hoje, o número de famílias acampadas no Estado e ligadas ao MST chega a 3 mil. Censi explicou que o acampamento ficará montado "alguns dias" em uma área cedida pelo prefeito Antônio Marangon (PT) para receber "mais famílias" e depois "poderá partir para cima de alguma terra".
Palmeira das Missões fica perto de Santo Augusto, onde está a fazenda Tapera, do presidente da Farsul, Carlos Sperotto. O dirigente informou que o "rumo" dos acampados vai depender do resultado da reunião de hoje à tarde entre o MST e o novo superintendente (interino) do Incra no Estado, Eduardo Freire. De acordo com Censi, o movimento quer conhecer as metas de Freire para o final de 1999 e para 2000 pois o objetivo inicial de assentar 1.200 famílias este ano não será cumprido. "Até agora o Incra só sorteou 450 famílias para assentamento", disse Censi. Adelar Portela, também integrante da direção estadual do MST, afirmou que apenas 220 famílias receberam terra efetivamente, sendo cerca de 100 do governo estadual.


