Se alguém pode ser chamada de ''supermãe'' é Aparecida Hilária da Silva Martins, uma londrinense de 36 anos. Aparecida é dona de um recorde absoluto: quatro vezes grávida, ela é mãe de oito filhos gêmeos. Cada gravidez, um casal. ''Nem eu entendo como isso pode acontecer. Meu pai diz que é um milagre de Deus'', diz Aparecida, concluindo: ''Eu sou muito honrada com isso''.
O domingo foi de muita alegria na casa simples onde ela vive com o marido, José Lourenço Martins, e três dos oito filhos. Sem nenhuma comemoração especial pelo Dia das Mães, nem por isso a família esqueceu a data. Aparecida ganhou cartões e beijos das crianças. ''Eles são meu presente. Quando vejo eles sorrindo, tudo que eu já passei e todo trabalho que eles dão vale a pena'', garante.
Criada numa família grande são 15 irmãos Aparecida sempre quis ter muitos filhos. A primeira gravidez, em 1990, parecia confirmar esse desejo. Eram os primeiros gêmeos, filhos de um namorado que Aparecida tinha na época. Os bebês nasceram aos 7 meses e só a menina, Eponina, sobreviveu. Orgulhosa, Aparecida mostra a foto da filha, que mora com uma tia em São Paulo. Três anos depois, novo namorado, nova gravidez, outro casal de gêmeos. Aparecida entrou em trabalho de parto no sexto mês de gestação e nenhum dos bebês sobreviveu. ''Os médicos me diziam que nunca tinham visto uma coisa dessas, ter gêmeos duas vezes'', conta Aparecida. Mais um intervalo de três anos e nova gravidez. Desta vez, do primeiro marido. Pedro Felipe e Paloma também nasceram prematuros mas sobreviveram e estão com 5 anos. ''Foi uma época muito difícil, eu mandei meu marido embora quando estava no 5º mês de gravidez e enfrentei tudo sozinha'', lembra Aparecida.
Dona de um sorriso e de uma energia contagiantes, Aparecida também se revela uma mulher romântica. O atual marido, pai do pequeno Giovani, de dois anos e 5 meses, foi conquistado através de carta que Aparecida mandou para uma rádio local. ''Eu queria um marido caipira, sabe? Queria ir embora prá roça. Daí escrevi a carta. O José me telefonou e marcou um encontro. A gente namorou aqui mesmo, no portão de casa. Ele usava calça na canela, camisa amassada e uma botina toda encardida. Era lindo!'', brinca Aparecida.
Do portão para dentro da casa foi uma questão de dias. Quando soube que ia ser pai, João não acreditou que eram gêmeos. ''Eu disse prá ele ter certeza que eram dois. A fábrica aqui funciona dia e noite'', provoca. Emocionado e assustado, João confessa que não teve muito tempo para lidar com os sentimentos. No sétimo mês da gravidez Aparecida teve uma hemorragia e os médicos tiveram que fazer uma cesariana. Desta vez a menina morreu mas Giovani conseguiu sobreviver. ''Ele ficou quase dois meses no hospital'', recorda o pai.
Logo depois do nascimento de Giovani, Aparecida passou por uma cirurgia de laqueadura a conselho dos médicos. Apesar da morte de quatro dos oito filhos e do trabalho com os prematuros, Aparecida garante que teria mais filhos, se pudesse. ''Cada gravidez é diferente da outra mas a emoção de ser mãe é uma só. Por mim eu teria mais filhos, mesmo sendo pobre''. A dificuldade financeira é a única preocupação de Aparecida. A família sobrevive com o salário de João, que trabalha numa lavoura de café na zona rural. ''Pelos meus filhos eu não tenho vergonha de pedir. Não deixo faltar nada para eles. A única coisa que eu não faço é roubar'', diz Aparecida.
Atenta para administrar o ciúme da criançada, Aparecida faz questão de tirar fotos com todos eles para a reportagem. Explica que os meninos são corinthianos e Paloma torce para o São Paulo. ''Eu não posso escolher time nenhum, tenho que ficar neutra para manter a paz aqui em casa'', ironiza. E é pensando nos filhos que Aparecida confessa, com simplicidade, o que ela gostaria neste Dia das Mães: ''Meu sonho era poder dar uma bicicleta para eles. Vivem me pedindo isso mas o dinheiro não dá'', lamenta. Na porta da geladeira as crianças colaram cartões com desenhos da família e mensagens de amor para Aparecida. Ajeitando o caçula no colo, essa mulher simples precisa de poucas palavras para definir a maternidade: ''Ser mãe é muito bom. Prá quem ainda não é, eu aconselho a ser porque é a maior e melhor emoção deste mundo''.

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