A Polícia Civil de Londrina instaurou inquérito para investigar a morte de Alexandre Rodrigues Ramos, na última sexta-feira (14), encontrado sem vida após cair do 12º andar de um prédio na Avenida Celso Garcia Cid, na região central. Segundo a polícia, ele foi amarrado, espancado, drogado e mantido em cárcere privado na noite anterior por quatro homens que questionavam o furto de uma câmera fotográfica de valor elevado. Os suspeitos tiveram as prisões em flagrante, por crime de tortura com resultado morte e fraude processual, convertidas em preventivas e permanecem detidos durante as apurações.

O corpo de Ramos foi encontrado na manhã de sexta e, inicialmente, a PM (Polícia Militar) acreditou tratar-se de suicídio. Ao tentar descobrir de qual apartamento o corpo havia caído, os policiais buscaram um imóvel com tela de proteção rasgada e descobriram que o apartamento era habitado por uma mulher e quatro homens, todos trabalhadores do mesmo estabelecimento, e que Ramos era namorado da moradora e estaria passando alguns dias em visita a ela.

De acordo com o boletim de ocorrência, as pessoas no apartamento passaram a questionar a vítima, ainda na noite de quinta-feira (13), sobre o desaparecimento de uma câmera de R$ 12 mil. Pressionado, ele admitiu ter furtado o equipamento e prometeu conseguir o valor para compensar o delito já na manhã seguinte. Ele, então, teria sido preso em um dos quartos e passou a ser agredido pelos quatro suspeitos com tapas no rosto, socos e chutes, além de receber ameaças. Também foi obrigado a consumir medicamento que prejudica a autonomia psicomotora.

Ainda na sexta, a namorada, uma testemunha e os quatro suspeitos foram conduzidos para a Central de Flagrantes, onde prestaram depoimentos. A mulher disse que se sentiu coagida pelos supostos autores, que teriam lhe dito para “não se intrometer, ou iria sobrar para ela”. Já os detidos deram versões contraditórias sobre a imobilização de mãos e pés de Ramos, mas admitiram tê-lo agredido e o mantido em cárcere privado com a justificativa de temer alguma represália enquanto estivessem dormindo.

Foram apreendidos no imóvel uma extensão elétrica branca, que teria sido usada para imobilizar Ramos, três frascos de remédios e seis aparelhos celulares, da namorada, da testemunha e dos quatro detidos. Os equipamentos devem passar por perícia na tentativa de obter mais informações que possam auxiliar na investigação.

Para a Polícia Civil, a hipótese de suicídio já está descartada. A investigação pretende levantar se Ramos foi atirado pela janela ou se, sob o efeito do medicamento, tentou fugir pela janela para evitar mais agressões. A reportagem apurou que, na noite das agressões, o serviço de emergência da Polícia Militar recebeu três ligações da testemunha do ocorrido solicitando um número de WhatsApp em que pudesse denunciar uma situação de “refém”, mas o volume baixo da voz do solicitante impediu um auxílio mais imediato da corporação.

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