São Paulo, 24 (AE) - Quatro pessoas foram mortas com vários tiros de pistola e duas ficaram gravemente feridas ontem (23) à noite em Itapevi, na Grande São Paulo. Foi a 27ª chacina do ano registrada na região metropolitana, totalizando 89 mortes.
Eram 21 horas e a temperatura estava em torno de 10 graus. Para espantar o frio, um grupo de amigos resolveu fazer uma fogueira no fim da Rua Alagoas, na Favela Jardim São Carlos, na periferia de Itapevi. De acordo com moradores, os rapazes conversavam sobre o jogo Palmeiras e Flamengo, ocorrido na sexta
quando uma Brasília branca parou no local. Três homens armados saíram do carro e começaram a efetuar diversos disparos na direção das vítimas. Logo depois fugiram.
Jeferson Marques, de 18 anos, Gildevan Cruz de Assis, de 19, e um rapaz identificado pela polícia apenas como Ivan, de 21, morreram ao dar entrada no pronto-socorro da cidade. J.D.R., de 30 anos, e M.P.M., de 20 anos, foram removidos para o Hospital Regional de Osasco, na Grande São Paulo, onde permanecem internados. De acordo com o boletim médico, o estado de saúde dos dois é delicado.
A chacina foi registrada na Delegacia de Polícia de Itapevi
mas, por enquanto, não há pistas dos criminosos. Acerto de contas, possivelmente, envolvendo droga, é a principal hipótese da polícia para a causa do crime.
Má sorte - Durante a fuga, os assassinos encontraram, a cerca de 500 metros da fogueira, o estudante Deividi Antônio de Oliveira, de 18 anos, que se dirigia à casa da namorada, Luciana
para entregar o presente de aniversário: uma aliança de compromisso. Os assassinos efetuaram alguns disparos em sua direção. Oliveira, que segundo os vizinhos nem conhecia os rapazes que estavam em volta da fogueira, morreu na hora.
"Ele estava passando no lugar errado e na hora errada", disse o pedreiro Ariosvaldo da Cruz, de 23 anos. "É triste ver isso acontecer e o pior: ninguém pode falar nada, pois a vida aqui não vale muita coisa."
Durante o ano passado, 89 chacinas deixaram 308 pessoas mortas. No sábado, quatro corpos foram encontrados carbonizados dentro do porta-malas de uma Parati, em São André, no ABC. A polícia da região também não tem pista dos criminosos. Em 30 dias deve sair um laudo do Instituto Médico-Legal de Santo André
sobre a causa das mortes.

mockup