São Paulo, 23 (AE) - O tenente da Polícia Militar Júlio Cesar Santos Corpas morreu porque não quis pôr em risco a vida de mulheres e crianças na entrada de uma favela na zona norte de São Paulo. Armado com uma submetralhadora, o oficial não revidou aos disparos feitos por um suspeito. Entre os dois, havia moradores do lugar. Corpas protegeu-se atrás de um carro, mas uma das balas acertou-lhe a testa. O tenente, de 27 anos, foi o quarto PM assassinado no fim de semana no Estado de São Paulo.
"Trabalhamos com meios escassos, mesmo assim, meu irmão não se omitiu", disse o tenente Aldrin Santos Corpas, de 29 anos, que também é PM. Corpas foi enterrado com honras militares hoje no mausoléu da Polícia Militar, no cemitério do Araçá. "O ato do tenente reveste-se de tudo aquilo que podemos chamar de heroísmo", disse o comandante-geral da PM, coronel Rui Cesar Melo. Corpas era noivo havia sete anos. Carioca, foi sargento do Exército e ingressou na Polícia Militar em 1993. Ele comandava a força tática do 5.º Batalhão da PM.
Ontem, às 16h40, ele e mais três soldados foram à Favela do Parque Novo Mundo. O local é usado como esconderijo por traficantes de armas e drogas e por ladrões de cargas. Os policiais pararam o carro da polícia fora da favela. O tenente e dois soldados seguiram a pé. Na Rua Abel Marciano de Oliveira, avistaram um suspeito. O homem era branco, de 1,75 metro de altura e cabelos curtos. Mandaram-no parar, mas ele correu. Na Rua Maria Quedas, sacou uma pistola e atirou. Os soldados protegeram-se atrás de um caminhão. O tenente, atrás de um carro. Uma das cinco balas do bandido atingiu a testa do oficial.
"Ele tinha campo de visão para atirar, mas não o fez para não pôr em risco a vida de mulheres e crianças", disse o tenente-coronel Edson Pimenta Bueno Filho, comandante do 5.º Batalhão. O criminoso fugiu. A PM já tem um suspeito do crime. É um conhecido bandido do bairro. "Nós vamos pegá-lo, é questão de tempo", disse o tenente-coronel. Outros - Outros três PMs foram mortos desde sexta-feira, todos quando estavam de folga. O soldado José Carlos Mistron, do 26.º Batalhão da PM, morreu com cinco tiros numa tentativa de roubo a um posto de gasolina em Cajamar. Ele fazia segurança no local quando surgiram quatro ladrões. Mistron reagiu, matou um, mas foi morto. Três suspeitos foram detidos.
Em Barueri, Grande São Paulo, o terceiro-sargento Marcelino Pereira de Souza, do 20.º Batalhão da PM, foi morto com dois tiros quando estava com Rosana Soares da Silva em um Monza. Eles foram abordados por dois homens que atiraram no PM. Nenhum dos bandidos foi preso.
O quarto PM morto foi o soldado Hélcio Fonseca, do 17.º Batalhão. Seu corpo foi achado, na sexta-feira, boiando no canal de Bertioga. Fonseca teve os dedos das mãos cortados e o corpo colocado em um saco com zíper. Ele só foi identificado ontem pelos parentes. A polícia do Guarujá não tem pistas. (Colaborou Cida Oliveira, especial para a AE)

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