São Paulo, 31 (AE) - Pelo menos quatro dos 15 policiais civis de São Paulo denunciados na CPI do Narcotráfico já tinham sido acusados por extorsão na Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo. A Corregedoria da Polícia Civil ouviu hoje oito dos 12 policiais que já foram identificados. Entre eles o delegado assistente do Departamento de Investigações sobre Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), Marcelo Teixeira de Lima que, segundo apurou a reportagem, consta das denúncias recebidas pela Ouvidoria. "Apenas posso informar que apuração realizada pelo polícia foi muito ruim", afirmou o ouvidor Benedito Domingos Mariano. "O Depatri ouviu somente os policiais acusados e arquivou a denúncia."
Mariano encaminhou hoje ao diretor da Corregedoria da Polícia Civil, Ruy Estanislau Silveira Mello, três denúncias recebidas em 1998 acusando policiais do Depatri de prática de extorsão. Quatro deles também apontados pelo informante da polícia paulista, que usa o codinome de Laércio Cunha, ouvido pelo CPI do Narcotráfico.
Na ouvidoria, o delegado Lima, da 2.ª Delegacia de Roubo de Cargas do Depatri, foi acusado de ter extorquido um desmanche de carros na capital. Procurado, Lima não foi localizado. Das 34 denúncias recebidas na ouvidoria desde 1998 acusando policiais de participarem de roubo de cargas 17% apontam policiais do Depatri.
Dos denunciados na CPI do Narcotráfico, a Corregedoria da Polícia Civil já identificou o delegado Lima, investigador Juvandir Lino da Silva, investigador Daniel Rubens de Oliveira, investigador Juacir Esteves, agente policial Walter Fonseca Inácio, investigador Sergio Adriano Gimenes, investigador Celso dos santos, investigador Alexandre Francisco Ribeiro Costa, os homônimos Marcos Pereira, um deles agente policial e outro investigador, todos pertencentes ao Depatri, além dos dois policiais do 63.º Distrito Policial Marco Antonio Fragoso e Murcini Rodrigues da Silva.
Advogados - Hoje oito dos acusados foram ouvidos pelo delegado da Divisão de Crimes Funcionais da Corregedoria da Polícia Civil, Antonio do Carmo Freire de Souza, que está presidindo o inquérito sobre o caso. Alguns admitiram conhecer o informante que os denunciou à CPI. O primeiro foi o delegado Lima, depois prestaram declarações Marcelo, Juvandir, Daniel, Juacir, Marco, Murcini e Walter. A maioria compareceu à corregedoria acompanhada por seus advogados. Evitaram dar entrevistas e a corregedoria proibiu a presença de fotógrafos e cinegrafistas no 11.º andar do prédio, onde os policiais foram ouvidos.
O diretor da corregedoria disse que deve realizar uma acareação entre os policiais e Cunha. "Esse procedimento é necessário para saber se os policiais identificados são realmente os acusados." Segundo Mello, os policiais não foram afastados porque ainda não existem provas sobre as denúncias. O corregedor contou que ao prestar declarações o delegado Lima teria negado as acusações. Prontificou-se a ficar frente-a-frente com seu acusador, além de permitir que seja quebrado seu sigilo fiscal e telefônico. "Vamos fazer uma investigação criterioso e transparente", afirmou o diretor. "Se necessário quebraremos o sigilo das contas e telefones dos acusados."
Os dois policiais enviados ao Rio de Janeiro para acompanhar os trabalhos da CPI do Narcotráfico ainda não retornaram. Amanhã (01) serão ouvidos os policiais Celso dos Santos, Alexandre Francisco Pinheiro Costa e investigador Marcos Pereira.

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