Rio, 07 (AE) - Confundido com um traficante, o ambulante Alexandre Soares da Silva, de 26 anos, foi sequestrado e passou doze horas sendo espancado por quatro policiais militares, que exigiam R$ 30 mil para libertá-lo. Ele contou à polícia ter sido levado na manhã de quinta-feira (06) da praça onde trabalhava, no centro de Niterói, no Grande Rio, para um local distante. Os quatro policiais foram presos e serão expulsos da Polícia Militar.
Robson Nunes Vaz, Sérgio Roberto Ribeiro e Marcos Antônio Suarez foram detidos em flagrante por extorsão mediante sequestro e encaminhados para o 12º Batalhão da PM (Niterói), onde são lotados. Ubiraci dos Santos escapou do flagrante, mas se apresentou hoje pela manhã no batalhão e também está preso. Fardados, Vaz e Ribeiro levaram o camelô da praça até o Parque da Cidade, na zona sul da cidade, dentro do porta-malas de um Santana.
No caminho os policiais pararam no batalhão e trocaram de roupa. De lá seguiram no Fiat Uno de placa SK-3530, que seria de um deles, até o parque, onde estavam os outros dois. Sob ameaças e pancadas, o camelô foi obrigado a ligar várias vezes para casa e pedir dinheiro para pagar o resgate. A mulher de Silva acionou a Divisão Anti-Sequestro (DAS), que libertou Silva por volta das 22 horas de quinta-feira.
Medo - Traumatizado, o camelô disse que vai pedir proteção policial. "Não sei como eu e minha família vamos ficar depois disso", afirmou. "O que passei foi muito duro; por isso
temo pelo que possa acontecer com a gente". Na 76ª Delegacia Policial, ele contou que dizia o tempo todo aos policiais que não conhecia o traficante procurado por eles, e que, mesmo assim
continuou sendo espancado com pedaços de madeira.
Com os policiais foram encontradas várias armas, munição e algemas - usadas para imobilizar Silva. Segundo o subcomandante do 12º BPM, coronel Luís Carlos de Oliveira Pinto, os quatro ficarão presos durante um mês e, depois de expulsos da corporação, serão entregues à Justiça comum. Pinto disse que eles nunca haviam se envolvido em atos criminosos antes.
Os policiais se defenderam dizendo que receberam uma denúncia de que Silva trabalharia como camelô para "camuflar" sua atividade como traficante de drogas. Segundo o subcomandante
o camelô será investigado. "A extorsão não se justifica, mas não podemos descartar a hipótese de que a vítima lavasse dinheiro de drogas no comércio ambulante", afirmou Pinto.

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