Quatro pessoas mortas em confrontos no Timor Leste
Dili, Timor Leste, 12 (AE-REUTERS) - Pelo menos quatro pessoas morreram hoje em diferentes confrontos no território em disputa do Timor Leste, onde centenas de manifestantes pró-Jacarta reuniram-se na capital Dili, afirmando estarem prontos para a guerra.
Tropas indonésias mataram dois guerrilheiros pró- independência num confronto em Talimoro, vilarejo próximo de Ermera, a 25 quilômetros da capital, disseram hoje as Forças Armadas (ABRI).
A ABRI informou também que guerrilheiros mataram um ex- líder distrital e um soldado indonésio num ataque a um veículo em Bacau. Os dois incidentes ocorreram hoje cedo.
A violência no Timor Leste aumentou desde que que a Indonésia terminou com 23 anos de oposição e declarou que poderia deixar a ex-colônia portuguesa tornar-se independente.
A escalada da violência levantou dúvidas acerca da viabilidade do referendo patrocinado pelas Nações Unidas através do qual os timorenses escolheriam entre a independência ou mais autonomia dentro da Indonésia.
Segundo a agência de notícias oficial Antara, a enviada portuguesa para a Indonésia, Ana Gomes, acusou hoje alguns grupos de tentarem sabotar o processo mediado pelas Nações Unidas através da violência.
Gomes, sem dar maiores detalhes, acusou um grupo de "fazer jogadas" no Timor Leste, enquanto Indonésia e Portugal esforçavam-se pela paz. A Antara não forneceu outras informações.
O ministro das Relações Exteriores da Indonésia, Ali Alatas, espera que detalhamentos da proposta de autonomia possam ser concluídos até o final de abril. Segundo o ministro, "no final de abril a proposta estará finalizada e em julho teremos eleições diretas". No entanto, o ministro repetiu a advertência de que a violência poria em dúvida o processo de votação, e que ele não poderia prometer nada.
Em Dili, centenas de manifestantes pró-Jacarta reuniram-se diante do gabinete do governador nomeado, dizendo estarem prontos para a guerra contra os grupos pró-independência. "Estamos prontos para enfrentar os grupos pró-independência que tiveram ordens de Xanana para pegar suas armas", disse o líder de uma milícia pró- Jacarta, Eurico Guterres.





