La Guaira, Venezuela, 22 (AE-AP) - Um helicóptero que participava dos trabalhos de resgate na Venezuela caiu hoje (22)
matando pelo menos quatro pessoas. Duas horas mais tarde, a queda de um outro aparelho - sem deixar vítimas - levou as autoridades a cancelar temporariamente os vôos na região dos trágicos deslizamentos e inundações da semana passada.
O acidente fatal ocorreu aos pés de uma montanha na cidade costeira de Tanaguarena, localizada no coração da zona de desastre, a 24 quilômetros ao norte da capital Caracas. Segundo autoridades de defesa, o piloto e três passageiros morreram na queda. O helicóptero era de propriedade privada e foi doado para ajudar nos trabalhos de resgate.
Autoridades informaram que os vôos estão suspensos por temor de que os pilotos estejam ficando exaustos depois de dias de intensos trabalhos.
Enquanto as equipes especializadas retiravam a lama e os destroços, o governo da Venezuela começava hoje a preocupar-se com duas consequências da catástrofe: os saques e a ameaça de epidemias. De acordo com números fornecidos pelo ministro das Relações Exteriores, José Vicente Rangel, entre 5 mil e 20 mil pessoas morreram por causa das chuvas. Fontes da Defesa Civil estimam que essa cifra possa chegar a até 30 mil, levando em conta que povoados inteiros foram soterrados em nove Estados e em Caracas.
O ministro da Defesa, Raúl Salazar, disse a jornalistas que, só em Vargas - na costa do Caribe, um dos Estados mais abalados pelas avalanches de lama e lodo -, 6.400 soldados e policiais estão em alerta para evitar saques e atos de vandalismo contra estabelecimentos comerciais e casas ameaçadas pelos deslizamentos e abandonadas por seus moradores. Embora não vigore oficialmente nenhum tipo de toque de recolher nas áreas atingidas, helicópteros lançaram panfletos recomendando aos moradores que saiam de suas casas depois das 19 horas "para facilitar o controle da segurança".
Lenín Marcano, prefeito da cidade portuária de La Guaira, capital de Vargas, disse hoje que, até agora, 170 pessoas foram presas por saques. Além do comércio e das casas abandonadas, contêineres foram abertos num pátio perto do armazém do porto. Foram roubadas cargas de alimentos finos, como salmão e queijo suíço, aparelhos eletrônicos e brinquedos.
Nos aeroportos, escolas e ginásios esportivos transformados em abrigo para os cerca de 150 mil flagelados das chuvas, a preocupação é de ordem sanitária. As autoridades de saúde temem o surgimento de epidemias de tifo, malária, dengue, hepatite e leptospirose. O governo promove sepultamentos coletivos para evitar que a decomposição dos cadáveres complique ainda mais a situação sanitária.
Em meio ao caos, a rede mundial de computadores Internet tornou-se uma importante aliada das autoridades venezuelanas. A empresa de informática americana Microsoft forneceu à Venezuela um software que permite informar, em tempo real, a identificação de cada uma das cerca de 60 mil pessoas resgatadas na operação comandada pessoalmente pelo presidente Hugo Chávez. O site http://www.rescate2000.net.ve traz informações como o nome, o sobrenome, o local onde a pessoa foi resgatada e para onde ela foi levada.

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