Quatro jovens são mortos na 67ª chacina de SP
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domingo, 31 de outubro de 1999
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 01 (AE) - Quatro rapazes foram mortos na 67.ª chacina do ano na Grande São Paulo. O crime ocorreu às 21h15 de ontem (31), em frente do número 640 da Rua Nova Guataporanga, no Jardim dos Cunhos, zona oeste da capital. Os jovens receberam tiros à queima-roupa na região craniana.
Desde 1.º de janeiro, 230 pessoas foram assassinadas em execuções desse tipo na região metropolitana de São Paulo. Os números estão próximos dos registrados no ano passado, quando ocorreram 308 mortes e 89 chacinas.
O provável motivo do crime que comoveu moradores do Jardim dos Cunhos, perto de Parada de Taipas, é vingança por dívida de droga, segundo informou a polícia. Dentro do bolso de um dos mortos, Dorival Ferreira da Silva, de 18 anos, havia dois papelotes de cocaína e um bilhete. Na carta, estava previsto o assassinato de Nino, que teria matado Edson.
Os vizinhos, que permaneceram durante toda a manhã consolando parentes das vítimas, ouviram os disparos. Todos os garotos - além de Silva morreram Marcelo Souza Amparo, de 16 anos, Luís Fernando Pereira, de 19, e Edivaldo de Paiva Rodrigues, de 18 - foram obrigados a deitar de bruços na calçada e foram baleados pelas costas, na cabeça. Alguns tiros acertaram a porta do bar em frente, que estava fechado. "A vila aqui está cada vez mais violenta; ficar na rua depois das 2 horas é arriscar-se", disse Antônio Félix da Costa, que mora próximo ao local do crime. "E o pior de tudo é que um dos meninos era evangélico, morreu de bobeira", contou, referindo-se a Pereira.
O pai de Rodrigues estava dormindo na hora do crime. Ele foi acordado pela mulher, que lhe contou da morte do filho. Atravessou a rua e viu o corpo do rapaz estirado no chão. Pai de nove filhos, Edevaldo de Paiva não crê no envolvimento de Rodrigues com drogas. "Foi até melhor ele ter morrido aqui em frente; se não ainda iam falar que ele roubava, que estava com arma na mão."
As duas testemunhas que prestaram depoimentos a policiais do 74.º Distrito Policial, onde foi registrada a ocorrência, afirmaram que viram um Passat preto deixando o local. Essa é a única pista da polícia, que também vai investigar a possível relação com um homicídio ocorrido no dia 28, registrado nesse distrito, cuja vítima foi Edson Aparecido Manoel. Segundo policiais, Manoel pode ter sido o homem mencionado no bilhete encontrado com Silva.


