Quatro fabricantes estrangeiros de genéricos têm planos de entrar no Brasil no 1º semestre
Quatro fabricantes estrangeiros de genéricos têm planos de entrar no Brasil no 1º semestre17/Mar, 22:57 Por Sônia Cristina Silva Brasília, 17 (AE) - Pelo menos quatro indústrias estrangeiras especializadas na produção de genéricos têm planos de entrar no Brasil ainda no primeiro semestre. O interesse dos laboratórios, confirmado hoje (17) pelo ministro da Saúde, José Serra, poderá movimentar o mercado. A expectativa dos técnicos do ministério é a de que a iniciativa estimule a competitividade, com reflexos positivos na redução do preço ao consumidor. Desde a entrada em vigor da lei de genéricos, em agosto do ano passado, 18 remédios receberam autorização do governo para comercialização. Os genéricos são cópias dos remédios de marca comercializados no País. A indústria israelita Teva, uma das interessadas no mercado brasileiro, é considerada a maior do mundo na área de genéricos, com um montante de R$ 2 bilhões em venda anual. As demais são a indiana Ranbaxy, a canadense Aphotex e uma empresa alemã que estariam negociando a compra do laboratório QIF, de São Paulo, para instalar-se no País. A maioria deverá seguir o mesmo caminho, associando-se à empresa já em atuação no mercado brasileiro. "A idéia é promover competição salutar com produtos de qualidade", explicou o secretário de Gestão de Investimentos do Ministério da Saúde, Geraldo Biasoto. Ele espera que os brasileiros possam ver o crescimento da oferta de genéricos já no segundo semestre. De acordo com Biasoto, o interesse das indústrias teria sido motivado pela repercussão internacional da lei de genéricos brasileira. Além disso, o próprio governo fez gestões no mercado internacional. "O consumidor só ganhará com o aumento da competição", aposta o presidente da Agência Nacional de vigilância Sanitária (ANVS), Gonzalo Vecina. Dos 150 pedidos de registro de genéricos apresentados à agência, pelo menos 11 são de duas destas empresas estrangeiras. "Mas toda a análise de registro é feita com muito rigor", salienta Vecina. Fiocruz - A produção nacional de genéricos também está crescendo. A Farmanguinhos, unidade de produção de medicamentos ligada à Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), está pedindo registro dos genéricos lamibudina e tetanozina, ambos destinados ao tratamento de doentes de aids. Vecina conta que, nos últimos meses, o governo investiu R$ 30 milhões para alavancar a produção dos laboratórios públicos. "Estamos investindo nos laboratórios oficiais, mas isso não quer dizer que não vamos incentivar a vinda de competidores", afirmou o presidente da AVNS. Nesta última semana, a CPI dos Medicamentos ouviu do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá avaliar projetos de laboratórios nacionais privados. Mesmo com os custos da produção e da realização do teste principal exigido para o registro - aquele que demonstra a eficácia do produto frente ao de marca - as indústrias que já colocaram genéricos no mercado estão mostrando capacidade competitiva. Há casos de remédios com preço até 60% inferior aos originais.





