Quase, não é acontecido
Oi gente, vocês sabiam que temos colegas de trabalho que gostam de escrever? É isso mesmo, leia o conto abaixo da nossa amiga Polaca, que escreve sobre coisas da vida, aquelas histórias que podem acontecer com qualquer um de nós. Talvez o que nossa amiga vai nos contar tenha te faça lembrar de alguém, mas já avisamos de ante-mão: Qualquer semelhança será mera coincidência. Boa leitura.
Quase, não é acontecido
Tudo começou com um olhar no bar da pequena cidade do interior de São Paulo, onde todos se conheciam. Tudo era motivo para notícia popular.
O bar? Era uma pequena venda , que se tornara uma lanchonete por necessidade social, onde os jovens se encontravam nos finais de semana, ou após a escola que ficava na esquina e se chegava até o 2º grau .
Foi numa 3ª feira , após uma prova de História do Brasil que Clara conheceu Pedro no bar do Chico. Ela ficara nervosa porque não conseguira responder todas as questões da prova e tirara nota D.
Pedro fora ao bar do Chico para tomar uma cerveja e relaxar do dia cansado de trabalho no sítio onde plantava milho. Esse sítio era de seu tio que arrendara após a morte do pai devido a uma cirrose.
Clara viu Pedro e ficou curiosa pra conhecer aquele rapaz moreno do sol, com cabelos penteados para trás, tentando organizar os cachos que insistiam em enrolar, rapaz sério com olhar sorridente.
Pedro a olhou e gostou do que viu, moça loira de dentes pequenos e perfeitos que sorria nervosa.
Os dois se falaram e como todo cidadão, comentaram o caso da Cleusa, que se casara no sábado anterior na única igreja da cidade. Grávida de 3 meses , porém com vestido todo branco. Que despudor! Que desrespeito com Deus, ela não era mais pura.
Pedro falava mais, Clara o ouvia interessada mas vicissitudes agrícolas,plantio, colheita, chuva, frio ,geada, riscos que o milho corria de sobreviver ou não na tão abençoada terra que nascia.
Clara falava de seu trabalho na loja de tecidos onde era balconista.
Combinaram de se encontrar só sábado no cima, um pulgueiro que passava o filme do Charles Bronson, aquele que ele mata todos os bandidos depois que os bandidos mataram o sei grande amor.
Chegou então o tão esperado sábado e lá estava Pedro, todo arrumado, com calça jean Lee e camisa xadrez em branco e azul. Clara chegou perto e disse: Que bom que parou de chover, pensei que esse tempo não iria melhorar.
Pedro sério, porem contente de não ter levado um furo da loira simpática responde: Graças a Deus , estava perdendo o sono com essa chuva.
Pedro comprara pipoca e assistiram o filme sem sequer se tocarem , nem mesmo pegar na mão.
Clara meio decepcionada sai do cinema, acreditando que Pedro não a achara bonita, pois não tentara nada o tempo todo.
Pedro sai seguro, encontrei a mulher que queria, séria e bonita, a ideal para ter meus filhos.
E assim começam a namorar e toda a cidade comenta o fato. Par perfeito, daí sai casamento.
Após 2 anos e 3 meses quando Pedro já freqüentava a casa dos pais de Claro, ele decide pedir Clara em casamento, Clara claro aceitou feliz pois estava apaixonada por aquele homem.
Seis meses de noivado, Pedro e Clara vão visitar a tia da mãe de Pedro, que morava na cidadezinha vizinha, pois a tia da mão sofrera uma cirurgia retirando a vesícula preguiçosa.
Pedro levara Clara em seu Fusca ano 68, que comprara com a venda da colheita anterior do milho. Eram dezoito horas e decidem voltar para casa. Numa estrada deserta entre uma fazenda e outra , o fusca pára, empaca. Pedro tenta sem sucesso consertar o carro , e a noite cai. Pedro e Clara sozinhos se sentem nervosos e exitados com a situação incomum.
Clara dentro do fusca, procurava acalmar o tremor de suas pernas e o suor de suas mãos. Pedro tentava achar qual era o problema do Volkswagem verde que fora vendido como perfeito.
As horas passam e os dois no carro sem mais assunto para conversar, se entregam num longo beijo e ao calor de seus corpos sedentos de prazer, e quando quase já não conseguiam se segurar , escutam o barulho de uma colheitadeira se aproximando da estrada. Ufa , era o Serginho, filho do seu José, maior produtor de soja das redondezas.
Serginho muito jovem e muito esperto também, ofereceu ajuda e rebocou o fusca até o centro da cidade. Clara foi para casa nervosa e frustada - nervosa pois iria enfrentar seus pais, frustada por não ter terminada o que quase tinha acontecido.
Pedro chegara no início da madrugada, pois fora a pé até o sítio. Não dormira a noite toda , pois não conseguira tirar aquela sensação do corpo.
O dia amanheceu e toda a cidade comenta o fato da noite anterior , pois Serginho contou para Neusa, que contou para Maria , que contou para seus pais, que comentou na reunião da igreja e assim Clara foi o comentário da cidade.
Seus pais a obrigaram contar o que não havia acontecido, claro que quase, mas Serginho não tinha permitido com sua colheitadeira New Holland.
Pedro preocupado com a reputação de sua futura esposa, decide antecipar o casamento.
Clara se casa vinte dias depois vestida de noiva, o vestido?
Cor pérola, pois o grupo coordenava o curso para noivos não havia aprovado o vestido branco.





