Quase metade das crianças argentinas vive na pobreza
Quase metade das crianças argentinas vive na pobreza13/Mar, 15:53 Buenos Aires, 13 (AE-AP) - Quase a metade das crianças e a terceira parte da população total da Argentina vivem na pobreza. O estudo é do Banco Mundial e foi divulgado hoje (13) em Buenos Aires. O documento foi publicado pelo jornal La Nación e mostra que dez milhões de argentinos - 29% da população - são pobres. "As crianças são as mais atingidas pela pobreza", diz Myrna Alexander, diretora subregional do Banco Mundial para a Argentina, Chile e Uruguai. Em declarações à rádio Continental, o presidente Fernando de la Rúa disse que a solidariedade deve ser a base de todas as políticas e que a ordem é "crescer com igualdade". O informe diz ainda que embora as crianças pobres façam a escola primária, dificilmente conseguem chegar ao nível superior. Segundo o documento, 37% dos jovens entre 14 e 18 anos que pertencem aos setores sociais mais pobres não vão à escola e somente 23% terminam o colégio secundário. Entre os jovens desta mesma faixa etária que vivem na faixa dos setores de maior poder aquisitivo do país, somente 8% não vão ao colégio e 76% terminam os estudos secundários. Para o Banco Mundial, existe uma estreita relação entre pobreza e educação, e é por isso que o organismo internacional propõe aumentar o gasto educativo do país dos atuais 4% do PIB para 4,5% ou 4,9%. A Argentina tem 36 milhões de habitantes, dos quais 10,5 milhões são crianças. Atualmente 7% da população vivem na indigência. Em janeiro passado, um mês depois de ter assumido seu cargo, a ministra de Desenvolvimrento Social e Meio Ambiente, Graciela Fernández Meijide, disse que a pobreza argentina não poderá ser erradicada no curto prazo. "A pobreza veio e ficará no país por algum tempo", disse a ministra. No ano passado a igreja, através do grupo Cáritas, criticou duramente o governo do ex-presidente Carlos Menem pela situação e acusou-o de não ter uma política de solução para o problema. O estudo do Banco Mundial destaca os progressos feitos pela economia argentina a partir de 91, com medidas que ajudaram a aumentar os salários médios por habitante, melhorar o bem-estar social e reduzir a pobreza. Esta recuou de 40% nos últimos quatro anos da década de 80 para 22%. Contudo, informa que o aumento do desemprego atingiu sobretudo os mais pobres e o setor informal da economia. Em consequência, a porcentagem de pobres cresceu durante a segunda metade dos anos 90.





