Imagem ilustrativa da imagem Quase 40% dos municípios paranaenses perdem população


A nova estimativa da população brasileira, divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que 155 dos 399 municípios parananenses encolheram no último ano. O percentual de 38,8% supera a média nacional. No Brasil, quase 1/4 dos municípios (24,8%) tiveram redução de população. Os dados mostram que as regiões Centro e Centro-Oeste lideram o decréscimo populacional no Estado.

Altamira do Paraná (Centro) perdeu 198 moradores em um ano, passando de 3.341 para 3.143 habitantes. A queda proporcional, de 5,93%, é a maior registrada no Estado. A falta de oportunidade de crescimento por meio do emprego ou estudo afugenta os altamirenses da terra natal. Os mais jovens são os mais afetados. Em 2000, o Censo registrou 6.999 moradores em Altamira do Paraná. Nos últimos 16 anos este número só minguou. O percentual acumulado no período já chega aos 55%.

Nos tempos de colonização do município, na década de 1960, Jovina Gomes Pierdoná, de 72 anos, fundou o Hotel Paradiso, no centro da cidade. Ela lembra que nas décadas de 1970 e 1980, costumava a receber mais de 30 hóspedes por noite nas instalações. "Teve vezes de precisar colocar colchão no chão, de tão grande que era o movimento", lembra.

A efervescência que girava em torno da agricultura em Altamira ficou no passado. "Hoje não temos mais empregos. As propriedades deram lugar às grandes fazendas mecanizadas que pouco empregam", compara. Com "meia cidade" a menos, até os visitantes rarearam. "Essa semana a lotação do hotel não passou de um hóspede por dia", lamenta.

Na mesma região, também têm destaque as perdas populacionais de Nova Tebas (2,1%), Santa Maria do Oeste (1,3%), Roncador (1,3%) e Mato Rico (1,2%). Dos 14 municípios abrangidos pela Associação dos Municípios do Centro do Paraná (Amocentro), apenas dois tiveram crescimento populacional: Guarapuava - cidade polo da região - e Manoel Ribas. Pitanga, que abriga a sede da entidade, teve a maior perda absoluta, de 204 habitantes.

Para Lisandro Pezzi Schmidt, professor do Departamento e Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro), os fatores que explicam a perda populacional na região estão associados a oportunidades em outros centros urbanos do estado e a ausência de um plano regional voltado a potencializar os diferentes municípios, valorizando o que há de riqueza na região.

"As cidades que oferecem formação profissional e em diferentes níveis recebem pessoas de outros municípios da região, contudo não dispõem de vagas para todos aqueles que poderiam exercer a atividade profissional e realizar o seu projeto de vida", analisa. Schmidt destaca ainda o gradativo crescimento da população economicamente ativa que busca a inserção em atividades rentáveis. "Essa população não encontra o que procura e acaba migrando. Isso distancia os jovens dos lugares que só dispõem de atividades voltadas ao campo."

Schmidt também chama atenção para as precárias condições das rodovias de acesso aos municípios da região. Mato Rico (Centro) é um dos três municípios do Estado que não possuem nenhum acesso pavimentado. "É claramente a consequência da ausência de plano regional que possa potencializar as riquezas da região, principalmente da população rural e onde estão muitas famílias que sobrevivem com inúmeras carências", comenta.

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