Já foram retiradas quase 30 toneladas de peixes mortos nos últimos cinco dias por causa da baixa concentração de oxigênio na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio - 8,2 toneladas só ontem. Medição feita pela Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (Feema), ontem à tarde, mostrou que o nível de oxigênio na superfície da lagoa era de 4,5 miligramas por litro d’água - o ideal são sete miligramas. A temperatura da água continua elevada, 32ºC, quando deveria estar em torno de 24ºC.
Desde o início da mortandade, pescadores convocados pela Feema retiraram 5,5 toneladas de pescado, que está sendo vendido em mercados populares. Na quinta-feira, o coordenador da Vigilância Sanitária do município, Cláudio Pimentel Bastos, condenou o consumo dos peixes, mas ontem veterinários do órgão que inspecionaram, pela primeira vez, o caminhão-frigorífico que transporta o que é coletado disseram que o pescado não apresenta risco.
A Vigilância Sanitária coletou amostras dos peixes para que sejam feitos exames microbiológicos. O Laboratório Noel Nutels vai emitir um laudo para atestar a qualidade do pescado. O secretário estadual de Meio Ambiente do RJ, André Corrêa, disse que não há qualquer contra-indicação para o consumo.
Corrêa não descarta a possibilidade de haver outra mortandade nos próximos dias. Isso porque a falta de chuvas mantém alta a temperatura da água, o que diminui a oxigenação. ‘‘Do ponto de vista ambiental, essa situação é mais grave do que a ocorrida no ano passado’’, quando morreram mais de cem toneladas de peixes. Segundo Corrêa, ‘‘a quantidade de peixes mortos só não é maior por causa da pesca feita à noite e de madrugada, quando há consumo de oxigênio pelas algas’’. O secretário disse que a água da lagoa está com temperatura mais elevada do que no ano passado.’’ A Feema e a secretaria municipal de Meio Ambiente continuam fazendo monitoramento diário do nível de oxigênio na lagoa, assim como a medição da temperatura da água.

mockup