Brasília, 26 (AE) - O presidente indicado do Banco Central, Armínio Fraga, declarou-se contra a adoção de uma quarenta para a entrada de dirigentes na instituição. "A quarentena na entrada não me parece fazer sentido, porque, com ela, o governo deixaria de se beneficiar de informações do mercado". Fraga, no entanto, reafirmou sua posição favorável à adoção de uma quarentena na saída de dirigentes da insitituição. Ele ressaltou
também, que ele próprio, ao deixar a diretoria de Assuntos Internacionais do BC, optou por passar um ano sem operar com títulos da dívida externa brasileira. "Não havia nenhuma discussão sobre isso, na época, e nenhum regulamento, mas eu fiz essa opção", relatou.
O presidente indicado do Banco Central, Armínio Fraga, disse há pouco aos senadores da CAE que em nenhum momento fez operações financeiras que prejudicassem o Brasil. "Não fiz nada que prejudicasse o meu País". Sobre as versões de que teria privilegiado o fundo Soros, onde trabalhava, ele as atribuiu ao fato de que, no mercado, quando alguém perde dinheiro, costuma procurar algum culpado para o fato. "Alguma operadorzinho, que perdeu dinheiro, deve ter posto a culpa no Soros", disse. Fraga comentou também que recebeu o convite para trabalhar no Banco Central em um final de semana e que, às sete horas da manhã da segunda-feira, imediatamente entregou seu pedido de demissão à empresa de Soros onde trabalhava.
O presidente indicado do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou que, sem o FMI, o governo brasileiro teria que adotar uma política mais dura. Segundo Fraga, a ajuda do FMI é um fator de financiamento adicional "para uma política que é nossa". Fraga disse ainda que o acordo com o FMI está em fase final de revisão e que, em breve, se terá uma posição. Segundo ele, o acordo servirá de base para a solução do desequilíbrio do balanço de pagamentos. Fraga avalia que esse desequilíbrio prejudica o financiamento das exportações.

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