Imagem ilustrativa da imagem Quarenta anos de história e elegância
| Foto: Arquivo Folha
Na mais recente reforma, em 2011, quando o piso de petit-pavet preto e branco foi substituído pelo paver, parte do antigo piso com suas famosas flores ficaram à mostra


Todo fim de ano, o Calçadão de Londrina fica apinhado de pessoas atrás dos presentes de Natal. Neste fim de semana não foi diferente. Um dos espaços mais democráticos de Londrina agregou consumidores, artistas, artesãos, ambulantes, policiais e aqueles que apenas passeavam pelo centro da cidade. Mas o ponto turístico nem sempre foi assim. Antes de 1977, os pedestres precisavam dividir espaço com os automóveis na movimentada Avenida Paraná.
A estreita via concentrou trânsito em mão dupla até 1974. Naquele ano, o então prefeito José Richa promoveu reforma no sistema viário e a tornou mão única. Segundo reportagens do arquivo da FOLHA, a "grande quantidade" de automóveis na época obrigou a medida. De acordo com registros de órgãos municipais, em meados dos anos 1970, a cidade tinha um veículo para cada 15,2 habitantes, o que equivale a aproximadamente 15 mil veículos. Eram os primeiros sinais de problemas de mobilidade urbana. Para efeito de comparação, Londrina tem hoje um veículo para cada 1,48 habitante. São 370 mil carros, motos, caminhões, e outros veículos a rodar pelo município.

Em 1976, o conflito entre motoristas e pedestres já despertava a atenção e, baseado na experiência positiva da Rua XV de Novembro, em Curitiba, fechada em 1972 para circulação exclusiva de pedestres, Richa determinou o fechamento do tráfego de automóveis na Praça Gabriel Martins, entre a Avenida Paraná e a Rua Professor João Cândido. A resistência inicial do comércio local, que temia perder clientes por falta de estacionamento próximo, foi vencida pelo grande movimento de pessoas que ganharam um espaço mais agradável para compras e lazer.
O engenheiro José Pedro Rocha Neto, que na época era um dos diretores ligados à Secretaria Municipal de Obras, contou que o prefeito José Richa encomendou o projeto de reurbanização do centro ao arquiteto e urbanista Jaime Lerner, que projetou o Calçadão da Rua XV, na Capital. A palavra de ordem era humanização. "Londrina precisava de um ponto de encontro entre as pessoas. Então, o projeto foi encomendado, mas a execução só saiu no ano seguinte, na administração do prefeito Antonio Belinati", recorda.

Luciano Matos, de 83 anos, servidor aposentado da Universidade Estadual de Londrina (UEL), lembra da "confusão" que era o centro antes do Calçadão. "Era uma bagunça só. As pessoas não tinham tranquilidade para andar. A calçada era apertada. Quem parava para ver as vitrines atrapalhava quem precisa seguir caminho", lembra. O programa preferido do aposentado é conversar com os amigos nos bancos do Calçadão. "Meus filhos moram em Cambé, já tentaram me levar pra morar lá, mas eu gosto mesmo é daqui. Tenho muitas amizades e todo dia nos reunimos aqui para colocar a conversa em dia", conta.

Outro que também se lembra dos chevettes, fuscas e brasílias a cortar a Avenida Paraná a toda velocidade é o aposentado José Pereira dos Campos, de 77 anos. "Naquela época tinha menos carros que hoje, mas a cidade era mais concentrada no centro. Então, o movimento era muito grande nesse miolo", relata. Ele lembrou que no início, as pessoas não tinham o hábito de andar despreocupadas "no meio da rua". "Mesmo com a interdição, não tinha quem atravessasse sem olhar para os lados. Só com o tempo que os pedestres se deram conta que o espaço era deles".

A Praça Gabriel Martins, localização do famoso Cine Augustus, foi incorporada pelo Calçadão. O pavimento de placas de cimento colorido com pigmentos trazia ilustrações de ramos, flores e grãos de café além de outros desenhos.

Na mais recente reforma do Calçadão, em 2011, quando o piso de petit-pavet preto e branco foi substituído pelo paver colorido, parte do antigo piso com suas famosas flores ficaram à mostra.

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