Quanto vale um esquenta? Sua vida vale muito mais!
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Diego Ribeiro<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Desde 2004, quando perdeu sua filha de 16 anos atropelada por uma motorista embriagada que saía de uma casa noturna no município de Piçarras, litoral catarinense, o advogado Gilberto Gaeski se dedica à defesa das vítimas de acidente de trânsito. O impacto causado pela morte de Bruna - que saiu para ver o sol nascer com amigos na praia de Piçarras-, transformou a vida do advogado. Hoje ele é um dos divulgadores da campanha da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot), que tem como tema ''Quanto vale um esquenta? Sua vida vale muito mais!''.
A campanha pretende conscientizar os jovens sobre o perigo de dirigir após o consumo de bebida alcoólica. Na sexta-feira, médicos ortopedistas participaram de uma caminhada pela Avenida Batel, região de Curitiba onde os jovens costumam se concentrar em bares e casas noturnas. O grupo levou informações até os postos de combustíveis e estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas sobre o perigo da união bebida e direção.
''O acidente que envolveu minha filha aconteceu às 8h30 da manhã. Ela reuniu uns amigos e saíram cedo para ver o sol nascer, quando uma moça que saiu da balada em Piçarras, num clube conhecido, projetou propositadamente e acabou acertanto minha filha. A conscientização é a única forma no âmbito da preventivo'', disse Gaeski. O advogado lembrou que um amigo da filha também se feriu gravemente no dia do acidente, mas conseguiu escapar com vida.
A morte da estudante Bruna aumenta uma estatítica que alerta a Organização Mundial do Comércio (OMS) e os médicos que cuidam de vítimas de acidentes de trânsito. Os ortopedistas dão impulsio à campanha que tem como objetivo diminuir de 5% a 10% dos acidentes de trânsito por ano no país.
Parte da divulgação da campanha está sendo realizada durante o 14º Congresso de Trauma Ortopédico, que começou ontem, no Embratel Convention Center, em Curitiba.
Para Marcos Musafir, representante para a América Latina de Projeto da OMS
voltado ao Trauma, a campanha também é voltada às famílias. Segundo ele, os pais precisam conversar com os jovens e ter coragem de impedir que eles bebam e utilizem o veículo. ''As pessoas alcoolizadas perdem reflexo, a visão fica turva, estão propensos a causar o acidente'', afirmou.
Muzafir apresentou estudo apontando que jovens embriagados são as principais vítimas dos acidentes de trânsito, embora mesmo os de nível universitário ignorem o perigo na relação entre o álcool e o ato de dirigir.
De acordo com ele, a cada 30 segundos ocorre um acidente de trânsito no mundo. Ao todo, são 1,2 milhões de óbitos, dos quais 400 mil atingem os jovens.


