Além de quantificar a população que consome bebidas alcoólicas, os pesquisadores procuraram fazer uma análise da relação que as pessoas estabelecem com a bebida. Para isso, os entrevistados respondiam se, no ano anterior, haviam consumido, num pequeno espaço de tempo, grande quantidade de álcool - o que, segundo padrões internacionais, equivale a cinco doses para homens e quatro doses para mulheres ao longo de um dia. É o chamado beber em ''binge'' (algo como excesso em inglês).
Para a secretária-adjunta da Senad, Paulina Duarte, as conclusões vêm confirmar a importância da Política Nacional de Álcool, lançada em maio pelo governo. ''O trabalho pode ajudar a nortear algumas ações de prevenção e combate ao abuso.''
O estudo mostra que os entrevistados entre 14 e 17 anos iniciaram o consumo de bebida alcoólica aos 13,9 anos. Não foi necessário ir muito longe nas gerações para encontrar uma média de início de consumo mais elevada. Entre adultos jovens, com idade entre 18 e 24, o início foi com 15,3 anos.
Paulina afirma que o consumo cada vez mais precoce de bebidas preocupa, mas não é exclusividade do Brasil. ''É uma tendência mundial. Mesmo assim, reforça a necessidade de aumentarmos os trabalhos de prevenção.''
Entre as ações previstas, está a ênfase no aumento do diagnóstico precoce de pessoas que apresentam um padrão problemático de consumo de bebida e a indicação de tratamento. Neste mês, a Unifesp acaba de treinar 5 mil profissionais de saúde, entre agentes comunitários, enfermeiros e médicos, para identificar pessoas que apresentam esse problema.
''A bebida passa a ter um lugar na vida dessas pessoas, interfere no relacionamento familiar, na vida profissional. Expõe a riscos, como a direção de automóvel sob efeito do álcool'', explica Paulina. Para prevenção, também estão sendo capacitados professores. Cerca de 20 mil educadores estão sendo treinados também para alertar adolescentes sobre o risco do consumo excessivo da bebida.
O levantamento indica, por exemplo, que dois terços dos adultos entrevistados dirigiram depois de consumir três doses de álcool - acima do que é legalmente aceito. O estudo mostra também que padrões de consumo se modificam conforme a região e a faixa etária. Quanto mais jovem, maior o índice de relatos de beber em ''binge'' e menor a taxa de abstinência. Entre população mais velha, a abstinência cresce e o abuso de álcool se reduz. (L.F./A.E.)

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