Brasília- Quanto mais cedo a criança começar a trabalhar menor será a sua renda na fase adulta. É o que mostra o estudo divulgado ontem pela OIT. Segundo o estudo, quem inicia o trabalho depois dos 18 anos tem a possibilidade de ter uma renda 85% maior do que se não tivesse que trabalhar.
''As médias salariais maiores concentram-se nas mãos daqueles que iniciaram seu trabalho numa faixa de idade mais alta. Esse fato deve estar atrelado ao nível diferenciado de escolaridade e de preparo para o trabalho que este grupo de trabalho possui'', salienta o estudo, que usou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 1992 a 2003.
Segundo o coordenador nacional do Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC), Pedro Américo Furtado de Oliveira, ''está provado que quem entra mais tarde no trabalho ganha muito mais ao chegar aos 60 anos de idade''. De acordo com ele, é preciso deixar clara essa relação aos pais. ''Há pais que ainda acreditam que o trabalho infantil vai ajudá-lo. Pode ajudar sim, naquele período, mas não vai fazer com que seus filhos consigam ter vida melhor que a deles no futuro.''
O estudo também mostra que um domícílio com renda até R$ 1,8 mil, um aumento nessa renda não reduz o número de crianças que trabalha na faixa de 10 a 17 anos. No Brasil, 81% dos domicílios têm uma renda nessa faixa. Já no caso dos meninos e meninas entre 5 e 9 anos, para qualquer faixa de renda o aumento do salário ajuda a reduzir a proporção de crianças no trabalho.
''Desta forma, provavelmente os programas de incentivo financeiro para a redução do trabalho infantil surtem maiores efeitos para a eliminação do trabalho infantil na faixa de 5 a 9 anos, sem atingir plenamente seus objetivos na faixa entre 10 a 17 anos'', conclui o estudo.(J.A./A.B.)

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