Quanto mais assustador, melhor
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sábado, 21 de fevereiro de 2004
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Quem nunca viu a cena? Antes de a polícia ou o resgate chegar para checar a ocorrência, dezenas de pessoas se aglomeram para saber o que aconteceu. Não importa se o estado da vítima é assustador o que vale é o melhor ângulo para saciar a curiosidade que atiça os olhos e a ponta dos pés. Nas estatísticas dos veículos de comunicação não é diferente: entre as notícias mais lidas, as policiais são as campeãs de atenção do público.
Um passeio pelas livrarias e videolocadoras de Londrina, contudo, revela que o gosto pelo mórbido e por aquilo que desafia todo e qualquer sentimento de medo não atrai apenas os fãs das desgraças do cotidiano mas também gente que encontra em filmes, livros ou games de terror o prazer de ter a atenção e os batimentos cardíacos postos à prova, ou simplesmente o alívio para as tensões de um dia conturbado de trabalho ou de estudo.
Gerente de uma megastore do ramo de livros, Leide Salles Ribeiro conta que a procura por leituras assustadoras é praxe especialmente entre o público jovem e adolescente. Tanto que a seção dedicada ao estilo já foi devidamente estabelecida na loja para facilitar a procura dos volumes. ''Muitos vêm aqui já com o nome do livro em mente. Um bom exemplo é o 'Entrevista com o Vampiro', da escritora Anne Rice, um dos mais vendidos'', conta. Mesmo assim, basta ver os inúmeros títulos do norte-americano Stephen King, entre outras dezenas da mesma linhagem, para deduzir qual o preferido dos frequentadores mais assíduos. ''O fato de muitos livros desse autor terem sido adaptados para o cinema ajuda e muito nas vendas'', comenta Leide, fã assumida do gênero. ''Às vezes a história é tão irreal que chega a ser bom para relaxar'', explica.
Já o vendedor Arnaldo Campassi, 38, lembra que nunca mais foi o mesmo depois que, aos 15 anos, se embrenhou pelas aventuras de suspense e terror. ''Lia os clássicos, como 'Drácula' e 'Frankstein', além de qualquer filme e gibi do tipo. É gostoso lidar com o medo, mas minha mãe achava que eu não batia bem da cabeça!'', ri, fazendo questão de frisar que seus preferidos são os que abarcam monstros como zumbis, lobisomens ou algum outro psicopata em série.''Prendem mais a atenção'', justifica. Ele reconhece, porém, que o medo às vezes atrapalha: ''Quando vi 'Poltergeist' e 'O Exorcista' no cinema, fiquei três dias com o sono perturbado''.
Entre uma folheada e outra nos volumes à venda, os estudantes Francisco Ferreira de Camargo e Gustavo Alves Tostes, ambos de 15 anos, fãs dos clássicos de suspense e terror, comentam que já foram chamados até de ''adoradores de satã'' graças ao hobby. ''Tem que usar de bom humor ante esses preconceitos'', ensinam. A veterinária Juliana Tiemi, 24, adotou um esquema diferente: ''Sou muito medrosa. Começo a ler um livro desses e tenho medo da minha imaginação. A saída é pegar esses livros quando tem gente em casa, pois sei que não estarei sozinha'', confidencia.


