Quantidade de docentes supera expectativas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de agosto de 1998
Betina Bernardes Agência Folha 
O número de 1,6 milhão de professores atuando na educação básica no país está acima do esperado pelo MEC e é um indicativo, de acordo com o ministério, de que o acúmulo de jornada de trabalho por parte dos professores é bem menor do que se imaginava.
Pensávamos que havia 1,2 milhão de professores. Esses 400 mil a mais mostram que o acúmulo de funções docentes não é tão alto como se dizia , disse Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Inep. O único dado que o ministério possuía antes do censo sobre professores referia-se a funções docentes, ou seja, a professores dando aulas em escolas federais, estaduais, municipais ou privadas. Esse dado não discriminava cada docente, ou seja, o mesmo professor podia dar aula de manhã numa escola estadual, à tarde, em uma municipal e à noite, em uma instituição privada, por exemplo, acumulando funções. Elas somavam 2,02 milhões em 1997.
Segundo o MEC, o CNTE (Conselho Nacional de Trabalhadores em Educação) chegou a estimar em até 60 horas semanais o tempo de trabalho dos professores. Nenhum diretor do conselho respondeu ao pedido de entrevista da reportagem até o início da noite de ontem.
O censo é um indicativo de que a dupla ou tripla jornada de trabalho é bem menor , afirmou Maria Helena. Segundo ela, o número de professores ainda pode crescer, pois continuam chegando ao ministério as respostas dos profissionais.
O censo foi feito no segundo semestre do ano passado. Foi enviado um questionário a escolas para que cada professor o preenchesse. Voltaram ao MEC 2,5 milhões de questionários respondidos. O cruzamento de dados eliminou os questionários respondidos mais de uma vez e chegou ao número de 1,6 milhão.


