''Uma dose é muito, um barril é pouco.'' Segundo o psicólogo Mauro Godoy, de São Paulo, esse é um lema usado em hospitais que tratam dependentes químicos. Ele explica: ''Para essas pessoas, é melhor nem começar (a usar droga), porque depois elas não conseguem mais se controlar''.
Segundo especialistas, existem diversas formas de tratamento para os dependentes químicos, que vão desde os grupos de ajuda e os 12 passos do AA (Alcoólicos Anônimos) e do NA (Narcóticos Anônimos) até a internação. ''Por incrível que pareça, os pacientes que chegam aqui contra a vontade deles têm mais índice de sucesso no tratamento'', conta o psicólogo Luiz Fernando Lapa Neves, da Clínica Terapêutica Maxell, para dependentes químicos.
Segundo ele, isso ocorre porque, muitas vezes, o paciente que procura internação por conta própria busca apenas refazer laços familiares - pois os parentes insistiam no fim do uso de drogas. Depois que isso ocorre, ele sai da clínica e volta a se drogar.
Segundo Godoy, nem todos dependentes precisam de internação. ''Isso é mais indicado para os casos de dependência física.'' Ele afirma que, para que haja sucesso, é preciso encontrar o motivo que faz a pessoa se drogar.
Os tratamentos para dependentes químicos, explica a psiquiatra Maria Angélica Gambarini, de Londrina, devem se diferenciar não pela substância utilizada, mas pelo indivíduo. ''Tem pessoas que vão precisar passar um tempo num lugar fechado para desentoxicar, tem outras que podem fazer isso no consultório, tem gente que pode fazer isso num lugar como o Caps (Centro de Atenção Psicossocial), por exemplo. Na verdade, a melhor forma de tratamento é aquela que o profissional tem condições de avaliar bem o paciente, perceber as necessidades dele, e quando ele está disposto a seguir aquela orientação'', avalia. (C.P. com Folhapress)

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