'Quando soube que seria no braço, fiquei tranquilo'
''Foi um pouco incômodo, mas praticamente não senti dor.'' Foi assim que João (nome fictício) definiu o cateterismo a que foi submetido, o primeiro de sua vida. O procedimento levou cerca de 40 minutos, e, poucas horas depois, o paciente já estava em casa, sem nenhuma restrição médica, e com apenas um band-aid no braço. Bastante tranquilo, João conta que até chegou a espiar o monitor onde via-se seu coração. ''Sabia de pessoas que fizeram cateterismo, mas era na perna. Nem pesquisei sobre o assunto para não me preocupar mais. Mas quando soube que o exame seria no braço, fiquei bem mais tranquilo'', revela.
Ainda assim, José confessa que chegou ao exame um pouco apreensivo, mas confiou no médico, que durante todo o exame conversou com ele e já havia explicado como seria o procedimento. ''Com o médico explicando o que está fazendo, não há por que se preocupar.''
José conta que toma remédio para pressão alta, pratica atividades físicas e faz check-ups anuais para cuidar de sua saúde. O cateterismo foi-lhe indicado pelo seu cardiologista, após este identificar uma pequena alteração em seu eletrocardiograma e no teste de ergometria (exame de esteira).
Esse cuidado por parte do paciente foi importantíssimo para evitar problemas maiores. No exame, acompanhado pela equipe da FOLHA, foram identificadas obstruções superiores a 80% em três artérias coronárias principais, mas o coração estava normal, sem qualquer sequela. ''Felizmente a detecção foi precoce. Agora precisamos preservar o coração'', avaliou o cardiologista intervencionista André Labrunie, lembrando que a obstrução de uma artéria dessas pode levar desde a uma isquemia (sofrimento muscular devido à falta de oxigenação no sangue) até à uma necrose.
As obstruções podem ser tratadas com medicamentos ou cirurgia, mas, no caso de José, os remédios foram descartados porque as três obstruções eram superiores a 80%. Uma equipe médica iria discutir, então, se a melhor opção de tratamento seria uma angioplastia (com a colocação de stents, por exemplo) nas artérias ou uma cirurgia de revascularização miocárdica (ponte de Safena), para depois discutir a questão com o próprio paciente, apresentando os prós e contras de cada opção.(A.I.)





