Quando o sonho se torna conquista
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sábado, 18 de maio de 2013
Adriana De Cunto<br>Reportagem Local 
Curitiba - O sonho de representar o Brasil em uma paraolimpíadas, traduzido em texto, levou Camila Braga Manzolli, 11 anos, portadora de síndrome de Down, para São Paulo, para receber um prêmio nacional de redação. O Troféu Espantaxim 2012 foi entregue em grande estilo no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo. A história pode parecer comum, se não fosse por um detalhe: até um ano atrás, a menina apresentava grande dificuldade na leitura e na escrita. Não parecia possível que em um prazo de 12 meses ela seria capaz de escrever um texto que, de tão boa qualidade, chegasse a confundir os juízes do 2º Concurso Nacional Literário Infantil Espantaxim e o Castelinho Mágico. A idealizadora da prova, a escritora infantil Dulce Auriemo, contou que quando o trabalho de Camila chegou às suas mãos, ela não sabia que se tratava de uma criança especial. Dulce ficou em dúvida se o texto era apenas imaginação ou a escritora que falava sobre as paraolimpíadas era a própria protagonista.
Exemplo de superação, o desenvolvimento escolar de Camila, aluna do 4º ano do Colégio Marista Santa Maria, de Curitiba, envolveu o comprometimento dos pais da criança e da escola. A menina, que desde bebê foi muito bem motivada, passou a ser incentivada ainda mais por pedagogos, colegas de turma e de uma equipe provida pela família, incluindo fonoaudióloga e tutora, que complementavam o trabalho desenvolvido na escola. A história da criança sensibilizou até mesmo os organizadores do concurso literário, que criaram uma categoria direcionada a crianças como ela, chamada Superação justamente a categoria que a garota foi premiada. O concurso teve 1.010 trabalhos inscritos com o tema Olimpíadas, vindos de mais de 50 escolas de nove Estados brasileiros. Os textos selecionados no concurso fazem parte da 2ª Antologia Espantaxim e o Castelinho Mágico, que conta com prefácio do ex-nadador e medalhista olímpico Gustavo Borges.
A mãe de Camila, Liziane Braga Manzolli, conta que a família não sabia que a escola havia inscrito o texto da filha no prêmio e que a vitória foi uma surpresa. "Foi uma emoção muito grande. Uma emoção incomparável. Foi bom saber que deram oportunidade dela mostrar o potencial que tem. E eu acredito que isso vai ajudar outras pessoas a verem que seus filhos podem desenvolver seus potencias. Cada um à sua maneira", afirma.
Enquanto isso, Camila sonha com o pódio, hino nacional e medalha olímpica. "Sou ginasta", diz a menina que tem certeza que vai ganhar uma medalha de ouro para depois mostrar aos seus alunos - quando crescer, ela gostaria de ser professora. Mas esporte não é a sua única paixão. A mãe conta que a menina gosta de jogar videogame, assistir a filmes e ler. "Ela tem pilhas de livros, senta-se na cama e vai lendo, criando e contando para os bonecos", comenta.
Personagens como Shrek, Fiona e Rapunzel são seus preferidos.
Camila e Liziane receberam a reportagem da FOLHA no colégio, onde a aluna estuda no período da tarde e faz atividades extracurriculares pela manhã. No início da encontro, a timidez natural deu lugar a uma boa comunicação. A garota mostrou seus trabalhos de artes e nem se importou em colocar roupas apropriadas para apresentar os passos que pratica nos treinos de ginástica rítmica.


