Quem nunca sentiu tontura ou vertigem pelo menos uma vez na vida? Os sintomas são tão comuns, segundo a fonoaudióloga Márcia Bongiovanni e o otorrinolaringologista Fábio André Levandowski, de Londrina, que são a segunda maior queixa depois da dor de cabeça. Mas os incômodos são desprezados - menos de 10% procuram um especialista. ''Por isso é que parece que vertigem e tontura não têm cura, que a pessoa vai viver com isso o resto da vida. Mas eles são sintomas, não são doença'', alerta a fonoaudióloga.
Antes de mais nada é preciso definir o que é vertigem e o que é tontura, pois, embora parecidos, são distintos. A tontura, segundo a fonoaudióloga, é aquela sensação errada do equilíbrio corporal - de instabilidade, desequilíbrio e flutuação. Já, a vertigem, segundo o médico, é um dos tipos de tontura, com característica rotatória, como se a pessoa ou o mundo girassem.
O que chama a atenção é que em 85% dos casos, esses sintomas estão relacionados a algum problema no labirinto. O órgão, localizado dentro do ouvido, junto com outros dois sistemas - visão e propiocepção (músculos e tendões) - faz parte do tripé que proporciona nosso equilíbrio.
A labirintite, explica ela, apesar de ser um termo bastante utilizado, é errôneo. Isto porque indica uma inflamação do labirinto, raro de acontecer. Já entre as labirintopatias (patologias do labirinto) uma das mais comuns é a vertigem posicional paroxística benigna - VPPB- (veja texto nesta página). Mas também há outras causas.
Segundo o médico, tonturas e vertigens podem ter origem em alterações circulatórias, causados por colesterol alterado, hipertensão e diabetes, em alterações hormonais ou metabólicas, causados por problemas de tireóide, por exemplo, em alterações na coluna cervical, em problemas visuais, em traumas, na enxaqueca, no estresse e até em infecções virais. O labirinto, ressalta o médico, é bastante sensível a qualquer variação, por isso, em alguns casos é preciso até rever a dieta, já que cafeína e açúcar são irritantes para o órgão.
''O ideal é procurar o médico logo após o primeiro sintoma, para que seja feito o diagnóstico precoce'', ressalta Levandowski. ''O problema é que muita gente acha que sentir tontura e vertigem é normal e não procura ajuda. O importante é achar a causa, para daí tratá-la'', avalia Márcia.
Em crise, o paciente pode apresentar vômito, náusea, palidez e até desmaio. ''Não é raro, o paciente ir parar no pronto-socorro achando que está morrendo ou enfartando'', alerta a fonoaudióloga. ''É um problema sério para o idoso, que pode, por causa desses sintomas, ir se afastando do convívio social'', ressalta o médico, lembrando que 85% dos idosos apresentam tontura depois dos 75 anos.

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