Quando não agüento, paro por duas horas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
Ao acordar, Helena Marchiori Peloia, 66 anos, é sempre ativa e bem disposta. Mas, com o passar das horas, o ânimo diminui à medida que as pernas incham. ''Quando não aguento mais, paro por duas ou três horas. É difícil abandonar os afazeres de casa quando se vive sozinha'', relata a aposentada. Ela é uma das vítimas das varizes, que é a deficiência do sistema venoso superficial na tarefa de impulsionar o sangue dos membros inferiores - novamente - ao tronco.
Segundo o angiologista Junot Cordeiro, o calibre das veias aumenta devido o comprometimento da função circulatória. Os principais sintomas são: inchaço, dor e a dilatação das veias. No entanto, existem pacientes - com indicação de tratamento - que nunca sentiram nada. ''No início, são varicoses (pequenas veias destacadas que assemelham-se a uma teia de aranhas) que evoluirão com a idade. A atividade física e a dieta da pessoa influem diretamente neste processo. No entanto, a genética é fator preponderante no desenvolvimento da doença, que atinge três mulheres para cada homem no mundo, explicou. Os anticoncepcionais e as gestações justificam essa diferença pela quantidade de hormônios que injetam no organismo feminino.
O sedentarismo e o fast food são parceiros das varizes. Quanto maior o peso e menos exercícios maior é o risco. Por isso, pacientes cada vez mais jovens recorrem aos consultórios médicos em busca de ajuda. Neste caso, a difusão de informações e o apelo estético colaboram para a melhoria na qualidade de vida.
As varizes não impedem o movimento das pernas, mas incomodam bastante. Há 13 anos, dona Helena abandonou o trabalho de doméstica porque não suportava a queimação e a dor, principalmente na perna esquerda. Ano passado, ela quase foi operada, mas a médica desistiu da intervenção. ''Devia ter voltado em outubro. Agora, somente daqui a três ou quatro meses pelo SUS'', prevê.
Conforme o angiologista José Antonio Morselli Diniz, a prorrogação do tratamento pode causar flebites (inflamações), trombose venosa profunda, úlceras varicosas, dermatites ou equisemas (pele avermelhada e descascada). ''Mesmo quando a indicação é a cirurgia não existe motivo de preocupação. Os procedimentos tornaram-se mais simples e a recuperação mais rápida comparados ao passado'', afirma o especialista com 25 anos de experiência.


