O futebol paranaense ainda não se habituou ao apito feminino nas partidas de futebol. Um grupo de nove mulheres pioneiras na arbitragem do Estado encontra resistência de dirigentes para apitar jogos importantes do campeonato estadual, apesar de a maioria fazer parte do quadro de árbitros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Sueli Tortura, 34 anos, integra, além da CBF, o quadro da Fifa, entidade internacional que rege o futebol no mundo. ‘‘Existe um forte preconceito e a comissão de arbitragem não tem coragem de escalar uma mulher para apitar uma partida’’, reclama Sueli, que apita oficialmente desde 1992.
Na opinião do presidente da comissão de arbitragem da Federação Paranaense de Futebol (FPF), José Carlos Marcondes, a arbitragem feminina ainda não decolou no Brasil. ‘‘Em comparação com outros Estados estamos dando chances para as mulheres, mas esse processo é lento’’, afirmou Marcondes.
Além de Sueli, Adriana Franzmann, 26 anos; Frederika Jarger, 31, e Miriam Pereira, 31, também integram esse time. Com exceção de Miriam, que é dona de casa, elas mantêm uma panificadora em um bairro de Curitiba.
Mas o futebol não é a única paixão delas. Adriana e Frederika apitam jogos de basquete e Míriam comanda partidas de futsal, esporte em que tentou ser jogadora, mas não teve sucesso. ‘‘Como gosto do esporte resolvi fazer o curso de arbitragem’’, afirma Míriam.
Sueli disputou torneios femininos de futsal, futebol de campo e de areia, e conquistou campeonatos. Ela jogou de meia-esquerda e posteriormente como volante. ‘‘Joguei em uma época que o futebol feminino não era muito difundido’’, lamenta a árbitra.
Mas se fora das quatro linhas as mulheres enfrentam resistências, dentro de campo, segundo elas, o respeito existe. ‘‘Teve partida que me receberam com flores e meu nome foi gritado’’, disse Sueli.
Nem todos os jogos, porém, têm o clima tranquilo. ‘‘Existe jogador que xinga e manda a gente para o fogão, mas basta agir com energia que tudo volta ao normal’’, afirmou Adriana.
‘‘Mesmo quando mostramos trabalho a confiança na mulher só vai aumentar depois que mudarem a mentalidade dos dirigentes e os homens perderem o medo de ocuparmos seus espaços’’, conclui Frederika.
No final de semana, Sueli Tortura foi árbitra reserva do jogo entre o Paraná Clube e Coritiba, e Frederika atuou como assistente na partida do Malutrom contra o Atlético Paranaense.

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