Quando chove, tudo o que há nas fossas vai para praia
Os governantes gastaram
dinheiro, fizeram um
contrato escandaloso e a
balneabilidade permanece
comprometida
Pedro Guimarães, ambientalista
Curitiba- A primeira discussão sobre erros de projeto de esgoto sanitário do litoral ocorreu no último dia 11 de fevereiro, na reunião do CAD da Sanepar. Até hoje, a ata da reunião não está disponível na página da Direção de Relação com Investidores, na Internet. Ninguém fala sobre o tema diretamente, mas todos concordam: existem falhas de projeto e de microdrenagem nas obras de esgotamento sanitário o que acaba gerando o chamado ''refluxo'' no período de chuvas. Isso significa que, quando chove, a água acaba entrando nos canais e voltam para superfície em vez de serem drenados para um local adequado.
'Quando chove tudo o que existe nas fossas e na rede de esgoto vai para a praia por conta do sistema de drenagem. É como se não existisse rede de esgoto. Vamos ter que fazer uma ação pontual com as prefeituras para aperfeiçoar a microdrenagem ou de nada vai adiantar o trabalho de ligação de esgoto na rede'', admitiu Maria Arlete Rosa, diretora de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar.
A microdrenagem é responsabilidade das prefeituras. No entanto, têm galerias em que as manilhas estão repletas de areia -o que dificultaria qualquer processo de drenagem. ''Isso não significa que as obras que fizemos até agora não deveriam ter sido feitas. Elas já melhoraram em 67% as condições da água do mar quando não estamos em período de chuvas. As obras foram concluídas e eram necessárias. Agora temos que ampliar os investimentos e obrigar todos os moradores do litoral a usarem a rede de esgoto já existente'', disse a diretora.
O fato de o projeto da ParanaSan não ter previsto o período de chuvas e a drenagem diferenciada do Litoral não é aceita pelo ambientalista Pedro Guimarães, que trabalhou com sistema de estrutura de água e esgoto na Fundação Nacional de Saúde (Funasa). ''Isso me parece inadmissível. Foram irresponsáveis todos os governantes nos últimos anos que gastaram dinheiro, fizeram um contrato escandaloso e a balneabilidade permanece comprometida. Isso é horrível para nós que moramos aqui, não apenas para os veranistas'', reclamou Guimarães. Para ele, todo o projeto é equivocado. Primeiro porque foi pensado para a região beira-mar, deixando de fora os bairros com maiores problemas de fossas e esgotamento como Vila Horizonte, Jardim El Dourado, Vila Sabonete, Buraco Fundo, Rio da Onla, Mangue Seco, Vila Nova, Tabuleiro e Pedra de Amolar.
''A verdade é que estamos vivendo um apocalipse estrutural. Os investimentos feitos até agora são como um grão de arroz num buraco de dente. Dizer que chove e por isso a balneabilidade não é boa é um pensamento simplista. Principalmente se verificarmos que aqui é um local de floresta densa e o destino aqui é chover sempre entre dezembro e março. É a lógica da natureza. Sempre foi assim. Desde a década de 30, todos sabem disso. Por que não planejam com a lógica do litoral? Não querem resolver e não adianta jogar a culpa na chuva'', raciocinou o ambientalista.(L.P.)





