Quando as mães não estão perto
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sábado, 10 de maio de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Para muitas crianças, jovens e adultos, o dia de hoje não contará com a alegria materna. São aqueles que, por motivos diversos, não poderão estar ao lado de suas mães. A marca da saudade aperta o coração e traz de volta a vontade de estar perto.
Bruna e Laiane, ambas com 9 anos, e Karen, de 13 anos, não terão a oportunidade de abraçar suas genitoras. Hoje, porém, as três voltaram a sorrir com o apoio que recebem no Lar Anália Franco, em Londrina, onde moram há mais de três anos e onde afirmam que são ''muito felizes''. Convivendo e aprendendo com mais cerca de 80 crianças e adolescentes, elas encontraram o apoio necessário para continuarem seus sonhos infantis.
Bruna quer ser cantora ou bailarina, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Ela tem a referência familiar, mas conta que a mãe não pode visitá-la porque está internada em um hospital de Curitiba. Mesmo assim, Bruna conserva as boas lembranças de outros tempos. ''Sinto muita saudade e ainda tenho vontade de ver de novo a minha mãe'', confessa, com uma simplicidade angelicaLaiane Se pudesse, Bruna conta que diria à mãe que o amor que sente no coração não se apagou. ''Amo muito ela e queria estar junto com ela comemorando o Dia das Mães.'' Sobre a vida no lar ela também fala com carinho. Com os ''tios'', ela compreendeu o valor das letras, outra de suas grandes paixões. Na convivência com outros meninos e meninas, compreendeu a importância da amizade. ''Adoro escrever cartas para meus amigos e professores'', revela.
A escrita também é uma das atividades preferidas de Laiane, que pretende ser professora. Talvez, por influência da educação que recebe no lar. ''Gosto muito do lar, porque aqui tem muito espaço e muitas atividades'', aponta. Ela mora com mais três irmãos no abrigo e recebe a visita dos pais pelo menos uma vez por mês.
Karen também tem afinidade com as palavras mas, como é típico da idade, ainda não decidiu se quer ser dentista ou secretária quando crescer. Por enquanto, ela é poetisa e sabe de cor a maioria dos versos que já escreveu. ''Olho a lua, olho o luar, amo você em primeiro lugar.'' Ela gosta de viver no Lar e diz que não tem muita vontade de seu mudar. ''Aqui tenho muitos amigos'', fala. Mesmo assim, gostaria de ver novamente seus pais, principalmente a mãe. ''Queria falar que eu amo ela.''
O presidente do Lar Anália Franco, Waldir Piedade, lamenta o fato delas não terem uma referência materna neste dia. Mas garante que procura fazer de tudo para que os internos tenham todo o conforto e apoio necessários. Ele explica os meninos e meninas do Lar estão à disposição da Vara da Infância e Juventude, que também delibera sobre possíveis adoções. ''O lar é o guardião destas crianças'', afirma. O dinheiro, sempre curto e difícil, para manter a casa funcionando vem de doações e de um bazar. Os interessados em ajudar podem ligar para o telefone (43) 3325-8060.


