Londrina - O século passado foi marcado pelo surgimento de vários movimentos e correntes religiosas. No Brasil, que recebeu influência cultural de vários países, o pluralismo observado atualmente é ainda maior. Mas, se a diversidade intensificou-se ao longo dos anos, a intolerância religiosa, também. Com isso, afloram as dificuldades de compreensão e respeito mútuo, fazendo que julgamentos e até mesmo disseminação do ódio - o contrário do amor, que pregam as religiões - acabem sendo o resultado de um discurso inflamado. Ainda assim, famílias mostram que é possível conviver em harmonia, mesmo com hábitos e tradições diferentes.

Vindo de uma família cujas práticas religiosas eram calcadas na espiritualidade oriental de matriz africana, desde muito cedo o professor universitário Dejair Dionísio recebeu influência dessa prática. ''Houve uma transmissão natural do conhecimento, os quais mantenho até hoje'', conta ele, que somente na idade adulta começou a frequentar o candomblé. Apesar disso, foi batizado e até mesmo coroinha de igreja católica.

Já o engenheiro elétrico Marcos Vinicius Miranda, nascido e criado em uma família presbiteriana, na idade adulta começou a questionar os ensinamentos da igreja. ''Há muito tempo estava numa busca espiritual. Foi quando comecei a procurar uma prática que me identificasse. Inicialmente, fui a Ordem Rosa Cruz, onde me casei, inclusive. Mas há cinco anos conheci o zen budismo'', conta ele, que é praticante de meditação e coordenador do grupo Zazen, em Londrina.
Já a esposa, Angelia Miranda, é de formação católica, na qual foi batizada e fez a primeira comunhão.

De uma família extremamente católica, Nelsa Beloni comemora 45 anos de casamento com Carlos Klein, presbiteriano que, inclusive, já foi pastor. ''No início do namoro, meus pais achavam que a relação não iria dar certo porque sempre fui muito assíduo da igreja. Mas estamos aqui para provar que é possível'', conta Nelsa. Segundo ela, nunca houve nenhuma tentativa de conversão por parte do marido para que mudasse de religião. ''Minha sogra acreditava que um dia eu mudaria.''

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