Qualquer pancada na cabeça é um traumatismo craniano
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segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local<br> Com Agência Estado 
Traumatismo crâniano é um diagnóstico que apavora, já que é uma das causas mais frequentes de morte e deficiência física e mental. Mas, também pode ser só um susto, sem consequências mais graves, como no caso da atriz Giselle Itié, que bateu a cabeça durante os ensaios da ''Dança do Gelo'', do ''Domingão do Faustão''. O importante, segundo especialistas, é ficar atento para sinais que podem indicar a necessidade de atendimento médico e hospitalar.
''De modo geral, qualquer pancada na cabeça é um traumatismo craniano'', diz o neurocirurgião Guilherme Malacarne, professor da Faculdade de Medicina do ABC, na Grande São Paulo. ''É só um nome, que não significa gravidade'', avalia o neurocirurgião Breno Ferraz, de Londrina. Um ''galo'', por exemplo, é um hematoma formado pelo volume de sangue acumulado após o traumatismo.
Nem todos os casos precisam de ajuda médica, mas é importante ficar atento. Entre as crianças, as causas de traumatismo craniano estão relacionadas principalmente com acidentes de automóveis, atropelamentos e quedas de grandes alturas. Mas até em casa, quando o bebê começa a andar, ou na escola e nos parquinhos, pode haver queda e traumatismo craniano.
Na última semana, por exemplo, o casal Denise Francisca Cruz de Lima, de 27 anos, e Douglas Diniz Mendes, de 23 anos, levou o filho Guilherme de Lima Mendes, de um ano e um mês, às pressas para o pronto-socorro. O menino havia caído do berço e batido a cabeça. O susto para os pais foi grande, mas os exames não apontaram problemas. ''A primeira coisa que a gente pensa é a cabeça, e em não deixar dormir ou comer'', conta a mãe. ''Eu fiquei 'gelado' quando ela me ligou contando'', lembra o pai.
Para Ferraz, ''toda criança vai bater a cabeça'' seja em casa, ou na escola. Mas qual o critério para procurar um médico ou o hospital? Quando se percebe sintomas como vômito, dor de cabeça importante e persistente, sonolência anormal e perda de consciência. ''Os critérios mais importantes são aqueles que lembram escala de Glasgow (leia texto nesta página). É o que a mãe observa no seu filho, se ele não abre o olho, se não fala direito, se está confuso, ou não mexendo o braço'', explica Ferraz.
As crianças, segundo o médico, diferentemente do adulto, tendem a ter uma piora imediata muito grande, em traumatismos mais moderados. Mas também se recuperam muito mais rápido. ''É comum a criança chegar grave ao pronto-socorro e duas horas depois já estar correndo'', avalia Ferraz.
''Mas, logicamente se a criança caiu do balanço, continuou brincando e duas horas depois começou a piorar, é hora de levar para o hospital'', ressalta o neurologista, lembrando que os mesmos sintomas também valem para os adultos.
Ainda persiste o mito de que não se deve deixar a criança dormir depois de bater a cabeça. Ferraz explica que isso era indicado antes da padronização de avaliação com a escola de Glasgow, porque um dos critérios importantes de que o paciente estava piorando era a perda de consciência. ''Não é que não podia deixar dormir. Podia. Mas de tempos em tempos, você tinha que acordar o paciente para ver se ele continuava consciente. Então, não era o fato de dormir que piorava seu estado''.


