Qualidade do ar no mês de julho foi boa, apesar da suspensão do rodízio
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segunda-feira, 09 de agosto de 1999
Por Rogerio Wassermann 
São Paulo, 10 (AE) - Mesmo com mais congestionamentos na cidade, em consequência da suspensão do rodízio municipal de veículos, o paulistano respirou em julho um ar mais puro do que nos meses de julho dos anos anteriores. Mesmo em julho de 1998, quando estava em vigor o rodízio estadual para controle da poluição, a qualidade do ar esteve pior do que neste ano.
O rodízio estadual foi alterado neste ano, para ser posto em prática quando os níveis de poluição ultrapassassem os limites considerados saudáveis, o que não ocorreu até agora. Os dados das estações de medição da qualidade do ar da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) mostraram que a decisão de alterar o rodízio estadual foi acertada. Durante o mês de julho, por exemplo, só houve uma ocorrência de ultrapassagem do padrão de qualidade, que ocorreu no dia 17, um sábado.
Em 1998, a Grande São Paulo registrou seis dias com ar inadequado. No total, foram 25 ocorrências de ar inadequado durante o mês entre as 22 estações de medição da companhia. No ano anterior, quando o rodízio estadual também vigorava em julho
foram 11 os dias em que a região esteve com ar considerado inadequado. No total, foram 78 registros de ar inadequado e 1 de ar com má qualidade.
Em 1996, quando não havia o rodízio estadual em vigor em julho - começou em agosto - , o número de dias com ultrapassagem dos padrões de qualidade foi inferior ao de 1997, mas a intensidade foi maior. Por dois dias, o ar foi considerado de má qualidade e, por oito dias, a classificação foi considerada inadequada.
Emergência - Para o coordenador do Grupo de Estudos da Poluição do Ar do Instituto de Física da USP, Paulo Artaxo, os dados da Cetesb demonstram que o rodízio só tem eficiência em situações de emergência. "Realmente, é uma medida ineficiente se adotada como rotina", avalia.
O gerente de Qualidade Ambiental da Cetesb, Cláudio Darwin Alonso, discorda da avaliação. Segundo ele, quando o rodízio foi proposto, em 1995, já se tinha perspectiva de sua curta duração. Ele alerta, porém, que a medida era necessária. "Era uma ação que precisava ser tomada naquele momento, porque havia uma situação histórica de qualidade do ar ruim na cidade"
diz. "A mudança no perfil de emissão de poluentes da cidade levou-nos a repensar o rodízio", afirma Alonso.
A queda nos índices de poluição na cidade tem uma explicação tecnológica: a melhoria dos motores dos automóveis novos, que emitem menos poluentes que os antigos. Pela legislação em vigor, de acordo com o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), um veículo a gasolina fabricado hoje deve emitir, no máximo, 1,2 grama de monóxido de carbono (CO) por quilômetro rodado. Os veículos fabricados até 1980 emitiam até 54 gramas por quilômetro, ou 45 vezes mais.
Renovação - "Mesmo com o aumento considerável da frota de veículos, houve uma renovação positiva, permitindo uma redução nas emissões totais de poluentes", diz Alonso. Entre 1996 e 1997, por exemplo, deixaram de circular 277 mil veículos considerados velhos e entraram em circulação 411 mil novos. Apesar dos 134 mil carros a mais em circulação, a emissão de monóxido de carbono caiu 170 toneladas no período.
Daqui para a frente, as perspectivas de uma restrição à circulação de veículos para o controle da poluição voltar a ser adotada são pequenas, mas não impossíveis, segundo Alonso. "A queda nos índices de poluição não é linear, porque depende também das condições meteorológicas e a meteorologia não é linear", alerta.
Mas, neste ano, o clima tem ajudado. As frequentes frentes frias que têm chegado à região, trazendo chuva e ventos, ajudam a dissipar os poluentes e deixam mais remota a chance de ocorrer um dia crítico de poluição.


