Brasília, 29 (AE) - A qualidade do abastecimento de energia elétrica no próximo ano ainda dependerá do comportamento do regime de chuvas até o final de abril. Segundo o secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia, Benedito Carraro, só no fim do período chuvoso os técnicos do ministério e do Operador Nacional de Sistema Elétrico (ONS) poderão avaliar o volume de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas e as perspectivas para os meses seguintes, inclusive o próximo ano.
Até o momento, a única avaliação feita pelo governo é que a situação não está tão problemática quanto se imaginava. "Dizer agora que em 2001 teremos problemas ou tranquilidade no abastecimento de energia é precipitado e não faz nenhum sentido", admite o secretário de Energia do Ministério. Carraro apresentou dois cálculos, porém, para apontar que o cenário energético em 2001 poderá ser positivo, mesmo com o crescimento da economia em torno de 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
"As coisas estão evoluindo satisfatoriamente", disse Carraro. O primeiro cálculo feito pela Secretaria de Energia tem como perspectiva um cenário no qual o crescimento da demanda de energia seria de 6% em 2001, diante de um incremento de 5% do PIB ao longo do ano. Com esta perspectiva seria preciso incorporar cerca de 4 mil megawatts (MW) novos de energia nos 12 meses do próximo ano para atender à demanda.
Carraro admite que no período entre 1999 a 2003, 2001 será o ano de menor crescimento da oferta de energia em novas usinas. O Ministério calcula que deverão ser incorporados ao parque de geração novos 3.136 MW, sendo que 2.377 MW serão de geração hidrelétrica e 759 MW de energia técnica. Para compensar a diferença, Carraro lembra que o governo trabalha com uma folga no crescimento do parque de geração previsto para este ano.
Dos cerca de 4.400 MW novos que serão gerados nos próximos 12 meses, o crescimento da demanda em 2000 deverá absorver apenas 3.600 MW, dos quais 2.400 MW de energia térmica, que não necessita de chuvas. "Este ano poderemos ter uma folga de 800 MW, que na ponta do lápis poderão ser incorporados ao aumento da oferta em 2001", disse Carrraro. Assim, os cálculos apontam que haverá energia nova suficiente para atender à demanda.
Um trunfo que o governo dispõe para aumentar a geração no País será a antecipação da construção da segunda linha de transmissão ligando o Brasil à Argentina, que estava prevista para 2002. "Ainda vamos analisar a necessidade desta antecipação", disse Carraro. Desde o final do ano passado, o planejamento energético brasileiro deixou de ser anual e passou a ser trimestral, o que permite o acompanhamento mais rápido das tendências.
Se o aumento da demanda estaria equacionado, o governo ainda precisa acompanhar o regime de chuvas para saber se haverá água suficiente para gerar energia nas usinas hidrelétricas ao longo de 2001. Segundo Carraro, as perspectivas atuais indicam que o quadro preocupante verificado no final de dezembro e início de janeiro está sendo revertido.
"Estamos acompanhando o comportamento dos reservatórios e diariamente estamos ficando mais tranquilos", garantiu o secretário de Energia. Segundo ele, as chuvas que ocorreram em janeiro e fevereiro ficaram acima da média, o que recompôs boa parte dos lagos das usinas. Segundo ele, no início de janeiro, havia preocupação, pois o ritmo de enchimento dos lagos estava lento demais.
A previsão era que, no final de abril, os reservatórios das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que chegaram a 18% na virada do ano, estariam em 42%. "Já chegamos a 45% no final de fevereiro e a tendência é que possamos alcançar mais de 60% em maio", disse Carraro.
Segundo ele, este é um patamar considerado seguro, pois no final do período chuvoso de 1999 o volume estava em 70%. No Nordeste e no Norte, os reservatórios já estariam suficientemente cheios.

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