Qualidade de vida por meio da musicoterapia
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domingo, 05 de setembro de 2010
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
A influência da música pode fazer toda a diferença no estilo e qualidade de vida de alguém. Especialistas afirmam que não só é mais feliz quem procura a música para momentos de prazer e relaxamento como também pode ser mais ''completo'' aquele que usa de recursos como a musicoterapia para melhorar seu quadro físico e psicológico.
Recomendada como uma terapia complementar, a técnica ainda é pouco difundida no Brasil, mas é reconhecida em outros países pela eficácia de sua ação na parte física e emocional dos pacientes. Por meio da técnica, crianças, adolescentes, adultos e idosos podem conquistar qualidade de vida através da prevenção, reabilitação ou tratamento.
A musicoterapeuta clínica Marília Aguilar Lopes explica que toda pessoa vive uma história sonoro-musical, desde a gestação até o fim da vida. Sendo assim, o musicoterapeuta utiliza dessas 'histórias sonoras' para fazer um levantamento da vida da pessoa antes do tratamento em si, preparando assim, uma espécie de relatório que desencadeará o início das sessões.
''Verificamos quais elementos musicais fizeram parte da vida dessa pessoa. Existem as cantigas do bebê, a voz da mãe que traz uma ação positiva na criança, as canções folclóricas no período escolar e também há os sons na adolescência e fase adulta. Quais são os sons que envolvem essa pessoa? Como ela quer se comunicar, se expressar? Isso tudo é importante que seja avaliado'', diz.
Segundo Marília, a musicoterapia pode ajudar a promover o auto conhecimento para aquelas pessoas que buscam estar de bem com elas mesmas e com os outros que estão ao seu redor. Ela explica que, em casos de reabilitação, a musicoterapia ajuda pacientes com lesões cerebrais no tratamento complementar, como por exemplo, pacientes portadores da doença de Alzheimer, entre outros. ''Também é possível atuar nas escolas, hospitais, presídios e nas empresas'', comenta.
Antes do início das sessões, o paciente passa por um teste receptivo e um ativo, onde ele terá contato com alguns instrumentos que poderão integrar o 'setting', uma sala especial onde são realizadas as sessões. O musicoterapeuta observa como a pessoa reage aos instrumentos e as músicas. ''Os sons podem provocar sentimentos, reações físicas e psicológicas diferentes em cada pessoa. A música pode trazer uma memória, um sentimento, e então as pessoas se expressam'', comenta.
A recepcionista Rosemeire Mazaro, de Jataizinho, se impressionou com o desenvolvimento do filho Caio Henrique, 10 anos, depois que passou por algumas sessões. O garoto tem hiperatividade, dificuldade na linguagem e apresentava déficit de atenção, comportamento este que melhorou depois da musicoterapia. ''Ele gosta muito de música, tudo ele canta. Hoje o Caio apresenta uma melhora muito significativa. O tratamento deu muito certo. Percebemos ele bem mais calmo e não tivemos que mexer na medicação para que essa melhora acontecesse. É um tratamento complexo que busca revelar a integridade do ser humano e para o Caio só fez bem'', diz.
Conhecedora dos benefícios que a música pode despertar nas pessoas, a musicista Rosali Vigiano de Araujo procurou a musicoterapia para prolongar os momentos de bem estar do pai, um idoso de 78 anos que atualmente apresenta um quadro avançado de Alzheimer, doença degenerativa do cérebro. ''Ele sempre gostou de música e sempre teve um repertório muito variado. Ele passou por pelo menos um ano de tratamento e foi um período que fez muito bem para ele. Claro que a musicoterapia não retardou a evolução da doença, mas promoveu uma melhora pessoal, emocional'', comenta.


