Qualidade de vida do Canadá atrai brasileiros
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sábado, 02 de dezembro de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Há sete meses, a fonoaudióloga Adreane Andrighetto e o administrador de empresas Alexandre Magno Lemes de Souza frequentam aulas diárias de duas horas de duração de francês. O esforço para aprender a língua rapidamente tem um objetivo comum ao casal: viver no Canadá. A determinação de morar fora do Brasil é antiga, mas a opção pelo Canadá foi decidida há um ano, depois que tomaram conhecimento do programa de imigração para brasileiros promovido pela província do Quebec.
O grande diferencial em relação a outros países como Estados Unidos e Japão, que recebem muitos brasileiros, é que ir para o Canadá não significa ter que se sujeitar a subempregos como faxineiro ou lavador de pratos. Isso porque o objetivo da província do Quebec, que tem como principais cidades Montreal e Quebec, é atrair mão-de-obra qualificada, escassa no país, e tão necessária para movimentar a oitava economia do mundo.
Para isso, há dois anos o governo do Quebec decidiu promover seu programa de imigração junto aos brasileiros. Com o programa, é possível migrar com um Visto de Residência Permanente, que permite morar e trabalhar legalmente no Quebec. Após três anos morando no Canadá, pode-se pleitear cidadania canadense, o que dá direito inclusive a passaporte canadense.
Assim como Adreane e Alexandre, outros milhares de brasileiros já tomaram o rumo daquele País. Só em Montreal, principal cidade da província do Quebec, vivem 3 mil brasileiros. E a intenção, segundo Soraia Tandel, agente de imigração do governo de Quebec, é levar mais 40 mil imigrantes para a província de Quebec em 2007, de modo a suprir a carência de mão-de-obra local.
Soraia explica que o Quebec, maior província canadense, apresentou em 2005 uma taxa de crescimento de 2,5%, equivalente a de países como Estados Unidos e França, propiciando a criação de 54 mil novos postos de trabalho a cada ano. Por outro lado, o aumento populacional não acompanha o avanço econômico, restringindo-se a um avanço na taxa de fertilidade de 1,48%, quando o necessário seria 2,1%.
Por isso, o perfil preferencial de imigrantes são pessoas com até 40 anos, formação tecnológica ou universitária, de qualquer área, com alguma experiência profissional na área ou afins, e conhecimento básico de francês, de cerca de 150 horas de curso.
''O Canadá tem interesse em aumentar a imigração de brasileiros, porque se integram facilmente a uma nova sociedade, têm uma formação boa e são muito amistosos'', diz Soraia, ressaltando a qualidade de vida oferecida no Quebec.
O governo quebequense exige que a pessoa leve uma determinada quantia para garantir os primeiros dias no local, até que se estabeleceça. Em contrapartida, oferece apoio de dois tipos: ajuda para inserção no mercado de trabalho e curso gratuito de mil horas para aperfeiçoamento no francês.
Um dos principais atrativos é o salário. A renda per capita do trabalhadior no Canadá é de U$ 25 mil por ano, contra U$ 6,3 mil da média brasileira. O cidadão também tem assistência médica gratuita e eficiente, escolas pública gratuita de qualidade para os filhos e baixos índices de violência urbana. Quem chega, segundo Soraia, não tem dificuldades para arrumar local para morar. ''No Canadá, a pessoa consegue fácil onde morar. Não precisa de fiador, não precisa fazer depósito, é só assinar o contrato dizendo que vai pagar e já entra na casa. Mas também é fácil de tirar da casa, é só ela não pagar'', adverte.


