Qual é o seu QE no trabalho?

O que separa as pessoas que se dão bem na vida daquelas que, apesar de serem espertas e inteligentes, falham? Para responder a essa pergunta, o psicólogo americano Daniel Goleman criou o conceito de inteligência emocional. Em seu primeiro livro, de 1995, Goleman disse que o sucesso de uma pessoa depende do seu QE, ou quociente emocional, e não do seu QI, quociente de inteligência. O QE se traduz em atributos como confiança, automotivação, empatia, capacidade de aprender sozinho e relacionamento interpessoal. Segundo ele, o QE nunca foi tão importante quanto hoje.
Por quê? Em tempos de grandes mudanças, como os atuais, a inteligência emocional é que determina, segundo ele, quem vai conseguir as promoções e quem vai ficar a ver navios. ‘‘As regras do trabalho estão mudando e nós estamos sendo julgados não apenas pelo quanto espertos somos e que habilidades técnicas temos. Estamos sendo julgados pela capacidade de conviver com os outros’’, afirma Goleman em recente entrevista para a revista Fortune. ‘‘Isso é verdade em todos os níveis da organização.’’ Segundo ele, as três competências básicas que as empresas procuram hoje em seus funcionários são habilidade de comunicação, relacionamento interpessoal e iniciativa. Todas elas são elementos da inteligência emocional. ‘‘E quanto mais alto você sobe na organização mais essas coisas fazem diferença’’, diz Goleman.
Você tem poder de persuasão? Segundo a teoria de Goleman, a resposta a essa pergunta pode ser decisiva para quem ambiciona galgar altos postos nas empresas. Os líderes mais brilhantes, diz ele, têm uma alta capacidade de colocar todo mundo no mesmo barco. ‘‘Você consegue entender as palavras não ditas por sua equipe? Entende suas preocupações e comunica-se com as pessoas de modo que todas o entendam? Isso é ser um grande líder’’, diz Goleman. Em outras palavras, para ser um líder de fato é preciso ter inteligência emocional.
Definir o nosso QE não é uma tarefa fácil porque depende muito de como as outras pessoas nos vêem. Goleman sugere que você peça para várias pessoas fazerem sua avaliação. Pode ser seu chefe imediato, dois colegas de trabalho que também sejam seus amigos e mais duas pessoas da empresa que tenham trabalhado com você. Peça a eles para responderem o teste abaixo. Depois compare as respostas deles com as suas próprias. Preste atenção aos itens em que seus subordinados e seu chefe concordam. Talvez eles achem que você não saiba ouvir direito ou então que você perde paciência facilmente. Seja qual for seu problema, segundo Goleman, é a ele que você deve dedicar mais atenção. Então, vamos à luta, ou melhor, ao teste.

DESCUBRA O SEU QE
Numa escala de um a quatro, estime como você é visto pelos seus pares, chefes e subordinados. Dê quatro para os itens com os quais você concorda totalmente e um para aqueles de que discorda totalmente. E, claro, seja o mais honesto possível.
n Eu quase sempre estou calmo, otimista e despreocupado, mesmo em momentos difíceis.
n Eu busco oportunidades de superar as metas da empresa e atraio outros para me ajudar
n Eu consigo pensar claramente e manter-me focado nas tarefas, mesmo sobre pressão
n Eu possuo objetivos além daqueles requeridos ou esperados de mim no meu emprego
n Eu admito meus próprios erros
n Obstáculos e retrocessos me chateiam um pouco, mas não me param
n Eu sempre encontro tempo para as pessoas e cumpro minhas promessas
n Às vezes é necessário conviver com regras obsoletas para depois mudá-la
n Eu assumo a responsabilidade por minhas metas e vou à luta
n Eu procuro enxergar uma nova perspectiva, mesmo quando isso implica mudanças radicais
n Eu sou organizado e cuidadoso no trabalho
n Meus impulsos ou irritações freqüêntemente não me impedem de fazer o meu melhor no trabalho
n Eu costumo procurar idéias novas em várias fontes
n Eu consigo mudar táticas rapidamente quando as circunstâncias mudam
n Eu sou bom em ter novas idéias
n Buscar novas informações é a melhor maneira de diminuir as incertezas e de fazer tudo melhor
n Eu consigo coordenar várias coisas ao mesmo tempo e mudar as prioridades se necessário
n Se alguma coisa sai errada, eu não ponho a culpa nas pessoas
n Eu sou bastante orientado para resultado
n Eu trabalho com a expectativa do sucesso, não com o medo de falhar
n Eu gosto de ter objetivos desafiadores e assumo riscos calculados para atingi-los
n Eu conheço a missão da companhia e me identifico com ela
n Eu sempre procuro melhorar meu desempenho e costumo acatar conselhos de pessoas mais jovens do que eu
n Os valores da minha equipe - ou da companhia - influenciam minhas decisões e as escolhas que tenho que fazer
n Eu não me nego a fazer sacrifícios para atingir um objetivo importante da empresa
Some os pontos - Se obteve um resultado acima de 70, parabéns. Você sabe lidar com suas emoções. Abaixo de 70, porém, indica problemas. Se a soma dos seus pontos for muito abaixo de 70, não se desespere. ‘‘Inteligência emocional pode ser aprendida. Na verdade, nós a construímos de várias maneiras ao longo da vida. Isso se chama maturidade’’, diz Goleman.

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