Propagandas veiculadas por fabricantes de embalagens de aço vêm deixando o consumidor em dúvida: afinal qual a melhor embalagem para acondicionar alimentos? Qual a que oferece mais segurança e não traz prejuízos à saúde?
  Seja de vidro, metal, plástico ou papel, cada um desses tipos de embalagens tem suas vantagens e desvantagens - ensina o engenheiro de alimentos Fábio Yamashita, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele alerta que cabe ao consumidor ficar de olho principalmente nos prazos de validade e nas condições da embalagem, para garantir a qualidade do produto.
  Na campanha publicitária que trata sobre as embalagens de aço, estas são indicadas como a opção mais saudável para acondicionar óleos, ao invés das embalagens plásticas. Outra campanha exalta que as latas também oferecem maior segurança aos atomatados (molhos, purês e extratos de tomates) em relação aos vidros, plásticos e acartonados. Informações parcialmente verdadeiras, segundo o professor.
  Ele explica que cada tipo de alimento precisa de determinadas condições para se manter inócuo, prolongando o chamado ‘‘tempo de prateleira’’. ‘‘O princípio básico é proteger o alimento, depois é que vem o marketing em cima da emba-lagem’’, ressalta.
  No caso dos óleos, eles são suscetíveis a oxidação pela luz, principalmente a ultravioleta (UV). Na lata, o óleo fica protegido da luz, e por isso a grande vantagem dessa embalagem, segundo Yamashita, é uma maior vida de prateleira, além da maior resistência física no transporte e armazenamento do produto.
  Já na embalagem plástica, transparente, é necessário o uso de um aditivo no óleo, que vai funcionar como um filtro UV. O tempo de validade é menor, o que não quer dizer que o produto não seja bom. ‘‘Não conheço nenhum estudo que aponte que este tipo de embalagem, por causa do aditivo, cause algum prejuízo à saúde. Com o produto dentro do prazo de validade, e a embalagem sem danos, não há problema’’, afirma.
  O que pode acontecer, segundo o engenheiro de alimentos, é o produto ser armazenado de forma errada, possibilitando que o óleo fique um pouco oxidado. ‘‘Neste caso não há dano à saúde, mas o sabor do produto fica um pouco alterado’’, aponta.
  A regra básica de atenção ao prazo de validade e ao estado da embalagem também vale para os atomatados. ‘‘Dentro do prazo de validade, tanto faz a embalagem, lata, vidro ou papel’’, ensina.
  Dentro da lata, explica o professor, um verniz protege a embalagem de alimentos ácidos. Mas uma batida forte na lata pode quebrar esse verniz e possibilitar um ponto de oxidação. ‘‘Um microfuro, que às vezes o consumidor não percebe, pode ser entrada para microorganismos. Por isso, o melhor é não comprar latas danificadas’’, ressalta.
  No caso do leite em pó na lata ou na embalagem plástica a diferença também está no prazo de validade, maior quando a embalagem é a lata.
  Yamashita lembra que o vidro foi perdendo mercado ao longo dos anos, primeiro por ser uma embalagem pesada e de baixa resistência no caso de quedas, mas principalmente pelo desenvolvimento tecnológico das embalagens plásticas. Segundo o professor, apesar da tendência de substituir as embalagens de vidro pelas plásticas, há pelo menos dois argumentos contrários.
  O primeiro é o apelo mercadológico do vidro, que inspira sofisticação - ‘‘quem vai comprar um vinho, por exemplo, em garrafa pet?’’. O outro é a questão ecológica: ‘‘O pet, apesar de reciclável, vem de uma fonte não renovável. Na Europa, os supermercados estão voltando a ter embalagens retornáveis’’.

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