Quadro partidário é "quase insuportável", diz Pimenta da Veiga
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Gabriela Carelli e Magali Sampaio 
São Paulo, 16 (AE) - O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, disse hoje que considera "quase insuportável" o quadro partidário atual, com o qual, segundo ele, não dá para conviver. Pimenta da Veiga sugeriu que o Congresso aproveite o momento das composições dos blocos partidários e siga a proposta do presidente Fernando Henrique Cardoso, que defendeu como prioridade a votação da reforma política. A sugestão foi apresentada na carta que o presidente enviou ao Congresso, na abertura do novo ano legislativo.
Apesar da crise, Pimenta da Veiga não acredita na divisão da base governista. Ele deu aula magna na Faculdade de Comunicação Fundação Armando álvares Penteado (FAAP), em São Paulo. O mesmo raciocínio do ministro tem o governador de São Paulo, Mário Covas. Os dois tucanos reagiram ao que consideraram "interferência" do PFL. Os pefelistas alegam que o PSDB manobrou para se tornar o maior partido na Câmara, com 103 deputados, e ainda encabeçar o maior bloco, com os 24 deputados do PTB.
"O PFL sempre toma as posições que acha que tem de tomar sem preocupar-se com o PSDB", comentou Covas. Ele alegou que o PSDB não pode tomar atitudes só para agradar o PFL. Sobre a irritação do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), com a suposta manobra do PSDB, Pimenta da Veiga acha natural a reação do senador. "É da sua personalidade e até da sua função", disse. "Agora, se houve essa irritação do PFL, espero que seja um fato neutro em relação às próximas votações."
Covas aproveitou o cenário político para voltar a falar na sucessão presidencial. Hoje, no Palácio dos Bandeirantes, ele voltou a defender as candidaturas à Presidência da República dos ministros Paulo Renato (Educação) e José Serra (Saúde). "Em qualquer um deles, eu voto", comentou. "Mas se for o Malan, não voto", disse o governador, referindo-se ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, ligado aos pefelistas. O comentário do governador relaciona-se às declarações de Fernando Henrique, na semana passada, segundo as quais apoiará para a sua sucessão um ministro da área social.
Na reação às críticas do PFL, Covas lembrou a defesa que o partido está fazendo do salário mínimo. "Por acaso o PFL nos consultou sobre o aumento do salário mínimo?" Segundo o governador os pefelistas têm de entender que isso é uma atitude interna e não se trata de demérito para com o outro partido.
Um dos articuladores políticos do governo, Pimenta da Veiga assegurou que a preocupação do presidente é manter a união da base aliada. Ele deixou claro que o processo de junção das duas legendas foi uma "livre acomodação dos partidos políticos, eminentemente congressual, sem interferência do Executivo". Ele reforçou que a formação desse bloco só evidencia a necessidade de mudança na regra partidária atual.


