São Paulo, 9 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse há pouco que tem absoluta convicção de que o governo está no caminho para a retomada do desenvolvimento. Ele admitiu no entanto, "que o ritmo não é o desejado, mas é o possível e vai longe". Segundo ele, as bases macroeconômicas conquistadas pelos ajustes dos últimos anos são boas e estão permitindo que o Brasil saia de uma recessão de três anos. "Esse período ruim começa a ficar no espelho retrovisor", afirmou durante o café da manhã promovido pela Andima, em São Paulo.
Uma brusca redução da taxa de juros para um patamar de 12%, conforme sugerem alguns setores do mercado, geraria apenas, na avaliação de Fraga, uma bolha de crescimento que prejudicaria o crescimento sólido e sustentável. Ao longo dos últimos dois anos, o presidente do BC disse que o governo fez um imprescindível ajuste fiscal e está buscando solucionar o problema cambial e falhas microeconômicas que amarram o desempenho das empresas. Ao ser indagado por um empresário se a implantação do real, seguida por uma recessão tão longa, teria valido a pena, Fraga respondeu que sim, explicando que a trajetória da economia mostrou um crescimento igual ou superior nesses últimos anos aos das últimas duas décadas. O grande ganho
segundo ele, teria sido a mudança cultural, que faz com que hoje a sociedade recuse a volta da inflação.

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