Quadrilhas usam jovens nos assaltos
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sexta-feira, 18 de setembro de 1998
Lúcio Flávio Moura Especial para a Folha 
Dois órgãos dividem a responsabilidade de manter a segurança dos pedestres e motoristas que transitam na metade paraguaia da Ponte da Amizade. A Polícia Nacional (PN), responsável pela autuação dos assaltantes, e a Marinha, encarregada de fazer a repressão.
Pela legislação federal, é de atribuição exclusiva da Marinha proteger os cidadãos que estejam numa faixa de 50 metros da fronteira física, explica o capitão Lucas González, responsável pelo destacamento da Marinha em Ciudad del Este.
Ney de SouzaAníbal Augusto Lima, relações públicas da Polícia Nacional Ponte da AmizadeGonzález comanda um grupo de dez soldados que, nos dias de maior movimento chega a efetuar cerca de 10 prisões. Em dias normais este número não passa de três, mas temos consciência que estes registros não refletem a realidade, confessa o capitão.
Para a Polícia Nacional, o problema pode ser explicado por uma combinação explosiva que alimenta a criminalidade. O consumo de drogas e o uso de gangues de adolescentes por adultos mantém a rotatividade dos assaltantes. Os jovens vivem em famílias desagregadas, não estudam e roubam para sustentar o vício da cola de sapateiro, analisa Aníbal Augusto Lima, relações públicas da PN.
Lima lembra que o problema é o mesmo para os jovens das duas nacionalidades. Quanto aos adolescentes paraguaios, a legislação é mais dura. Eles permanecem muito tempo no reformatório e alguns deles, reincidentes, são encaminhados à penitenciária para jovens, conta o policial, se referindo a uma modalidade de prisão que não existe no Brasil.
A Marinha e a Polícia Nacional concordam que a omissão das vítimas, que acabam não registrando queixa formal, atrapalha ações efetivas e constantes. Se conseguimos bolar um trabalho em conjunto eficiente, poderemos melhorar a credibilidade do serviço e a partir daí as vítimas poderão ajudar nosso trabalho, prevê o capitão González.
Ele acrescenta que os primeiros passos para um trabalho integrado das forças de segurança estão sendo dados. Converso regularmente com os policiais federais brasileiros e a questão dos furtos e assaltos está ganhando espaço nas discussões. González lembra que, embora a formação de quadrilhas organizadas seja produto de um sistema sócio-econômico excludente, a repressão ainda é o melhor caminho. A Ponte da Amizade significa muito para o Paraguai e para o Brasil, acabar com os crimes neste espaço deve ser uma questão de honra para os dois países.


