Curitiba- Policiais civis do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) prenderam, ontem, oito integrantes de uma quadrilha responsável pela compra e venda de autorizações irregulares para corte e venda de madeira proveniente de florestas nativas de araucária, na região dos Campos Gerais. Entre os suspeitos de envolvimento -27 no total-, estão funcionários do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), em Ponta Grossa, fazendeiros e madeireiros. A ex-chefe do escritório, Elma Nery de Lima Romanó, é uma das suspeitas e estaria foragida. Há indícios, também, da participação de policiais da Força Verde.
A polícia calcula que as ações do grupo tenham resultado na derrubada de perto de 36 mil árvores, em 19 fazendas, e perto de R$ 8 milhões teriam sido movimentados pela quadrilha. A área desmatada seria equivalente a aproximadamente 1,450 hectares ou 1,5 mil campos de futebol. Estima-se que o grupo vinha atuando há cerca de três anos.
O presidente do IAP, Vitor Hugo Burko, disse que as suspeitas de irregularidades surgiram durante sobrevôos pela região, quando se observou várias áreas de desmate que tinham autorização, quando não poderiam. Ele pediu, então, ao secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, que designasse uma equipe para investigar o caso.
Burko explicou que as autorizações eram fracionadas em áreas menores que 10 hectares, pois, dessa forma, não havia necessidade de remetê-las para aprovação da superintendência do órgão. ''Vamos alterar os processos (de emissão de autorizações) para que esse tipo de situação nunca mais volte a acontecer'', destacou Burko.
Além das oito prisões, os policiais cumpriram dez mandados de busca e apreensão, simultaneamente, em Ponta Grossa, Castro, Irati, Piraquara e Curitiba.

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