A Polícia Federal confirmou ontem que a quadrilha que usava aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para traficar cocaína também transportou a droga para Europa por via marítima. O titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF do Rio, Marcelo Duval, recebeu informações da Interpol espanhola de que, no sábado de manhã, a polícia local apreendeu 308 quilos de cocaína no interior de um navio de carga de bandeira brasileira, em Barcelona. A droga estava escondida sob caixas de camarões.
Segundo Duval, a cocaína saiu do Porto do Rio há pelo menos 25 dias e seria a última encomenda enviada à Espanha antes da prisão do suposto chefe da quadrilha, o americano John Michael White, no dia 19. ‘‘Os caminhos usados pela quadrilha já estão todos identificados’’, disse o delegado. Até então, o único indício da PF de que a quadrilha usava também a rota marítima para traficar cocaína era a descoberta de um contêiner com fundo falso no interior do galpão da empresa Idealuso, em Bonsucesso, zona norte do Rio.
O contêiner havia sido alugado por uma empresa brasileira para transportar fogões para África do Sul. A droga, porém, iria junto com a mercadoria e, da África, seguiria para a Europa. Dentro do contêneir, era possível armazenar até 300 quilos de cocaína.
A PF chegou à quadrilha chefiada por White depois da descoberta, no último dia 19, de duas malas com 32,9 quilos de cocaína, que estavam no avião Hércules C-130 da FAB. As malas foram apreendidas quando o avião fazia uma escala na Base Aérea de Recife, vindo do Rio de Janeiro. O destino final do vôo era França, com escala em Las Palmas, capital das Ilhas Canárias, onde a droga seria desembarcada.
Além de White, estão presos o tenente-coronel da Aeronáutica Paulo Sérgio Pereira e a boliviana Lila Mirtha Ibanus López, que, segundo a PF, era quem fazia a ponte entre a quadrilha e produtores de cocaína da Colômbia e Bolívia. O coronel Pereira foi quem embarcou as malas com a droga no Rio e seria o contato do grupo na FAB. Ele, porém, nega que tivesse conhecimento do conteúdo das malas.
Continuam foragidos o ex-policial civil Adilson Nunes, o Gina, Luís César Pereira, irmão do coronel da Aeronáutica, e Roberto Monteiro Zau - ambos seriam os receptadores da encomenda em Las Palmas. Hoje, o delegado Duval vai ouvir o primeiro-sargento que recebeu as malas do coronel Pereira no Rio. Duval criticou a ação da Justiça no caso, que, segundo ele, está demorando a expedir mandados de prisão e de busca e apreensão dos envolvidos. ‘‘Temos informações de que Luís Pereira já teria deixado a Espanha’’, lamentou.

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