Campinas, SP, 22 (AE) - Uma quadrilha formada por pelo menos 12 homens roubou ontem (21) 400 quilos de jóias que estavam guardadas no setor de penhoras da Caixa Econômica Federal em Campinas, a 90 quilômetros de São Paulo. O valor roubado chega a R$ 3,5 milhões. Até o fim da tarde de hoje, a polícia não tinha pistas dos assaltantes.
A agência, localizada na Avenida das Amoreiras, foi inaugurada em agosto do ano passado e conta com um sofisticado sistema de segurança. Os assaltantes, porém, aproveitaram a presença de operários que trabalhavam na reforma do prédio para invadir o local. Armados com metralhadoras, renderam dois seguranças e os 30 funcionários da empreiteira responsável pela obra.
"Não há dúvida que a ação foi realizada por profissionais", disse hoje a gerente de negócios da Caixa em Campinas, Márcia Angelina Rizzi. Segundo ela, os assaltantes levaram os dez mil lotes que estavam guardados na agência. As jóias pertenciam a 2,5 mil clientes que mantinham contratos de penhora com o banco. "Todos serão indenizados, caso as jóias não sejam recuperadas", garantiu a gerente.
Assalto - De acordo com os pedreiros que trabalhavam no local, a quadrilha chegou a agência por volta das 8h30. Dois homens se identificaram como serralheiros contratados para trabalhar na obra. Os seguranças, que tinham uma lista com os nomes dos operários autorizados a entrar no prédio, teriam pedido os documentos da dupla. Em resposta, os dois homens sacaram as metralhadoras e renderam os seguranças.
Após dominarem os operários, os assaltantes se dirigiram para o cofre onde estavam as jóias. Eles abriram um buraco na parede do compartimento, recolheram os malotes e obrigaram os pedreiros a levá-los para uma Saveiro e um Santana estacionados em frente a agência.
O pedreiro José Nildo da Silva, que também ajudou a colocar as jóias no carro, desapareceu do local após o assalto. Seus colegas chegaram a acreditar que ele havia sido levado como refém pela quadrilha, mas a versão foi desmentida pela polícia. Os investigadores que trabalham no caso disseram que ele fugiu do local e foi localizado em sua casa hoje à tarde.
Segundo os operários, os assaltantes passaram cerca de duas horas dentro da agência. A Saveiro usada pela quadrilha foi encontrada a poucos quilômetros da agência. O veículo estava totalmente queimado. Testemunhas disseram a polícia que o Santana foi visto seguindo pela Rodovia Anhanguera, em direção a São Paulo.
Indenização - A gerente da CEF disse que os clientes que tinham jóias penhoradas na agência de Campinas receberão uma correspondência pelo correio com orientações sobre o procedimento a ser adotado. Segundo Márcia Angelina, caso as jóias não sejam recuperadas, eles receberão a indenização no prazo de 15 a 20 dias.
O assalto em Campinas foi semelhante ao ocorrido em outubro de 98, no setor de penhoras da agência da Caixa Econômica Federal localizada na Rua Augusta, em São Paulo. A quadrilha também agiu no final de semana e aproveitou a presença de pedreiros que trabalhavam na reforma do prédio para invadir o local. Dos cerca de R$ 8 milhões roubados, apenas 20% teriam sido recuperados.

mockup