Curitiba - Uma das maiores quadrilhas de receptação do País e que causou, em um ano, um prejuízo estimado de R$ 100 milhões para empresas de transporte rodoviário de todo o Brasil, foi desmantelada pela polícia paranaense, durante a Operação Armagedon, deflagrada na última terça-feira em oito cidades do Estado (Curitiba, Pinhais, Maringá, Foz do Iguaçu, Medianeira, Santa Terezinha do Itaipu, São Miguel do Iguaçu e Vera Cruz do Oeste).
A ação, comandada por policiais da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV) de Curitiba, cumpriu 30 mandados de prisão e 110 de busca e apreensão. Nove suspeitos seguiam foragidos até o fechamento da edição.
Conforme o delegado titular da DFRV, Cassiano Aufiero, o bando atuava em todo o País, fazendo um ciclo completo de atividade criminosa - além de receptar caminhões, eles também roubavam, vendiam peças e adulteravam veículos.
A polícia ainda suspeita do envolvimento de grandes empresas de transporte localizadas em diversas cidades do País, que serão investigadas. De acordo com o delegado, um motor Mercedes-Benz 475.9, que no mercado é vendido por cerca de R$ 115 mil, era oferecido pela quadrilha a R$ 15 mil. "As investigações prosseguem agora com a análise de todo o material apreendido, mas também já levantamos informações importantes sobre o envolvimento destas grandes empresas no esquema. Elas acabavam adquirindo produtos ou peças por preços muito menores mesmo sabendo da ilegalidade do comércio", ressaltou Aufiero.
Conforme o delegado, a investigação durou cerca de 11 meses até que todo o esquema fosse mapeado. O ponto inicial de apuração foi a apreensão de um módulo de caminhão (espécie de computador de bordo, que recebe o nome de centralina) numa oficina mecânica em Pinhais, na Grande Curitiba. Segundo Aufiero, junto com esta peça havia uma nota fiscal de sua origem. "Com estas evidências começamos a investigar o caminho que a peça roubada percorreu até chegar em Pinhais. E com o trabalho avançando fomos detectando os integrantes das quadrilhas e onde eles estavam atuando", disse.
Entre os presos estão Leocir Vitorino Seganfredo, de 51 anos, um ex-policial militar expulso da corporação; e André Luiz Marafon, de 22, que seriam os chefes da quadrilha. Segundo Aufiero, eles utilizavam diversas empresas de fachada para emitir notas fiscais falsas das peças dos caminhões.
As investigações apontaram que, por dia, de três a quatro caminhões roubados chegavam até os 19 barracões que a quadrilha mantinha na cidade de Medianeira (Oeste).
Os envolvidos serão indiciados pelos crimes de formação de quadrilha, receptação, roubo, furto, lavagem de dinheiro, estelionato, falsidade documental e adulteração de sinal identificador de veículo.
Ao todo cerca de 150 policiais civis trabalharam na operação, que também envolveu profissionais da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre) e da 15ª Subdivisão Policial de Cascavel.
Ainda segundo a polícia, um dos foragidos também transportava armamento pesado do Paraguai em um fundo falso de um caminhão-guincho.

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