Curitiba - Dez pessoas foram presas, ontem pela manhã, suspeitas de formar uma quadrilha que roubava gado em fazendas no Norte do Paraná. O gado roubado seria vendido para um frigorífico clandestino, na região de Ivaiporã. Segundo a polícia, o grupo se infiltrava no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para conseguir terras e esconder os animais. Os detidos ainda estariam envolvidos com a morte de um dos líderes do MST na região, Eli Dallemole, assassinado em março deste ano, após descobrir o esquema dos roubos de gados. O delegado chefe do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Miguel Stadler, informou que Dallemole teria sido ameaçado várias vezes pela quadrilha. A polícia estima que o prejuízo causado pelo bando chegue a R$ 1 milhão.
''Todos os dez presos hoje (ontem) têm envolvimento direto ou indiretamente com a morte do sem-terra em março. Dallemole expulsou alguns bandidos que estavam na invasão da fazenda Copramil, localizada em Ortigueira, que acabaram se vigando dele. '', explicou o Stadler. O homem que teria matado Dallemole, Odenir de Souza Matos, foi preso logo em seguida do crime, na época. O sem-terra foi morto em casa, no assentamento Libertação Camponesa, também em Ortigueira. O delegado operacional do Cope, Francisco Caricati, afirmou que a denúncia para o início das investigações partiu do MST.
A operação, chamada de ''Vidas Secas'', aconteceu nas cidades de Ortigueira, Faxinal e Tamarana, na região Norte do Paraná, onde todos foram presos. Além dos dez que integrariam a quadrilha, a polícia ainda está a procura de mais sete pessoas que estariam envolvidas com os crimes. Todos foram encaminhados para o Cope em Curitiba, onde foi aberto o inquérito. Outras duas pessoas foram presas por porte ilegal de armas, mas ficaram detidas em Faxinal.
De acordo com o investigador do Cope, Claudinei Pereira, que iniciou as diligências, a polícia já tem registrado mais de 30 vítimas que teriam tido o gado roubado. Pereira informou que as dez pessoas que fariam parte da quadrilha foram presas por meio de um mandado de prisão temporária. ''A quadrilha agia há pelo menos um ano na região'', contou o investigador.
Para despitar possíveis investigações, quando o gado era roubado em Ortigueira, era escondido em Faxinal. Caricati ainda contou que a quadrilha utilizava dois caminhões para transportar o gado roubado, além de mantê-lo em verdadeiros buracos formados pelo relevo da região. A polícia também cumpriu 12 mandados de busca e apreendeu duas espingardas calibre 12 e 400 gramas de maconha.

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