Manaus, AM- Operação da Polícia Militar apreendeu 200 toneladas de produtos ilegais, incluindo 170 toneladas de alimentos vencidos, em Manaus (AM). Ontem, metade dos alimentos, como iogurtes, queijo, presunto, arroz, feijão, farinha, começaram a virar adubo para jardinagem no aterro sanitário municipal. Quatro pessoas foram presas acusadas de crime contra a saúde pública, cuja pena varia entre quatro anos e oito anos de reclusão.
Os alimentos apreendidos estavam em cinco depósitos já interditados pela Visa (Vigilância Sanitária) de Manaus. O órgão informou que nos depósitos havia alimentos vencidos em 2002. Ainda não foram descobertos os fornecedores e os compradores dos alimentos.
A médica e chefe de fiscalização da Visa Manaus, Maria Antonieta Moura, disse que os alimentos vencidos põem em risco a saúde da população. ''As doenças mais comuns são gastroenterite, uma infecção causada por vírus, e o botulismo, uma grave intoxicação alimentar que pode matar, se não tratada a tempo.''
O delegado do caso, Alfredo Dabella, investiga também crimes de receptação e contrabando, já que um dos presos contou que foi a uma grande distribuidora da cidade para receber uma carga de alimentos vencidos.
Dentro de um dos depósitos foram encontradas caixas de jogos eletrônicos com inscrição de notas fiscais de um hipermercado da cidade. Em depoimentos, um dos presos afirmou que falsificava as datas para que os produtos fossem revendidos com preços mais baixos em feiras e em mercados da periferia.
''Sou analfabeto e não posso dizer se é errado ou certo (mudar a validade dos alimentos), achava que a comida era boa'', disse Jérbison Carneiro, 23. Ele afirmou que foi contratado por R$ 15 ao dia para mudar as datas de validade dos alimentos.
O caso foi descoberto no dia 29 durante uma ronda de rotina da polícia. Policiais da 1 Companhia Interativa Comunitária Militar flagraram Jérbison Carneiro e Francisco Alves da Silva, 37, apagando as datas vencidas dos alimentos com acetona.
Com material de serigrafia, os dois imprimiam outras datas nos alimentos vencidos. Em outros dois depósitos, a polícia encontrou carimbos para adulterar a datas de validade.
Carneiro deu pistas da existência de uma organização levando a Polícia Civil a prender Miguel Pereira da Silva, 66, proprietário dos depósitos, e o vendedor Manoel Ademilton Gomes de Souza, 30.

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