Quadrilha pode ter lesado milhares de correntistas de bancos; 726 cartões clonados foram recuperados
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2000
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 15 (AE) - A quadrilha de ladrões e falsários da qual faz parte o técnico em informática Feliciano Dato Júnior
de 27 anos, preso segunda-feira, na zona leste, com 726 cartões clonados, pode ter lesado milhares de correntistas de bancos, muitos deles do Itaú. Responsável pela prisão, o delegado Nelson Silveira Guimarães, da Seccional de Polícia de Itaquera, disse que sua equipe está investigando a possível colaboração de funcionários dos bancos com os criminosos.
Guimarães acredita estar diante de uma das principais quadrilhas de clonagem de cartões da capital, que estaria agindo há um ano. Ele acredita que oito pessoas façam parte do grupo, cada uma delas com uma atribuição específica. "Tem os que conseguem as senhas, as contas correntes, as informações dos correntistas e também os laranjas, usados para a abertura de contas na capital e em outros Estados".
Dato Júnior era o responsável pela clonagem. Ao ser preso, em sua casa, na Rua Antonio de Moura Andrade, 270, Itaquera, tinha, além dos 726 cartões magnéticos, centenas de senhas, números de contas correntes, nomes de agências, uma máquina de leitura de cartões bancários, dois computadores e o livro Manual Completo do Hacker. Colaboração - Ao ser autuado por falsificação de documentos particulares, Dato Júnior prometeu ao delegado colaborar com a polícia. "Ele tem noção de que, se contar o que sabe, poderá receber benefícios da Justiça e aliviar a sua pena", disse Guimarães. Dato Júnior alimentava os computadores com as informações dos clientes dos bancos e montava os cartões magnéticos utilizando a máquina de ler dados.
Os cartões, em sua maioria, eram usados para transferência de valores das contas correntes e de aplicações financeiras, principalmente poupança. Dato Júnior revelou que, de posse dos cartões, a quadrilha age rapidamente. "Tem alguns que conseguem sacar todo o dinheiro de uma conta corrente em poucas horas".
"Estamos começando uma grande investigação", garantiu Guimarães. "Vamos pôr muita gente na cadeia, do falsário ao estelionatário, do chamado laranja às pessoas que se consideram impunes". Itaú - O diretor de Relações Institucionais do Itaú, Aldous Galletti, declarou hoje que o banco tem todo o interesse em esclarecer os fatos e saber como o ladrão preso em Itaquera conseguiu as senhas e os dados das contas correntes dos clientes das agências. Ele disse não acreditar que funcionários do Itaú estejam colaborando com os falsários. "No sistema do banco ninguém entra ou entrou, pois existem mecanismos de segurança e o cliente é quem sabe da senha".
Galletti adiantou que o Itaú, no fim do ano, avaliou a segurança de seu sistema com os testes relativos ao bug do milênio. "Foi um sucesso, pois tivemos a certeza do que já sabíamos: ninguém consegue entrar". Ele acredita que muitas pessoas favorecem os criminosos informando suas senhas ou permitindo a estranhos ver os números quando digitam nos caixas eletrônicos.
Não só o Itaú, mas a própria Federação das Associações Brasileiras de Bancos (Febraban) tem manifestado preocupação com a intensa atividade dos criminosos da informática. "Desde janeiro de 1998 estamos mandando aos nossos clientes, com os extratos, dicas de segurança e orientando-os a não fornecer de maneira nenhuma as senhas, mesmo para amigos e conhecidos", informou Galletti.


