Apucarana
Toda a polícia da região norte do Estado está mobilizada desde a manhã de ontem, tentando localizar e prender uma quadrilha que, na noite de sexta feira, assaltou o armazén do extinto IBC, em Jandaia do Sul - 30 km ao sul de Apucarana. Formada por cerca de 40 pessoas armadas com revólveres, pistolas e metralhadoras e utilizando quatro carretas, a quadrilha levou duas mil sacas de café, o equivalente a 120 toneladas, avaliado em R$ 324 mil, a preço de mercado.
Na manhã de ontem, técnicos do Instituto de Criminalística de Maringá estiveram no local e levantaram informações sobre o assalto. O delegado de Jandaia do Sul, Gustavo Tucci Nogueira, já instaurou inquérito policial e iniciou investigações para apurar o caso. Por se tratar de um crime federal, considerando que o café pertence ao Ministério da Fazenda e ao Fundo Nacional do Café (Funcafé), o delegado também comunicou o fato à Polícia Federal, de Maringá.
O gerente do armazém, Wilson Maia, contou à polícia que a quadrilha chegou no local, situado na entrada da cidade - às margens da BR-376 -, às 20 horas, e rapidamente rendeu os dois vigias que estavam na portaria. ‘‘Eram sete homens armados com revólveres e pistolas automáticas, que depois renderam a minha família e a do encarregado do armazém’’, revelou.
De acordo com ele, dois assaltantes ficaram numa casa, mantendo 10 pessoas como reféns; outros dois ficaram do lado de fora da residência e mais três na portaria. ‘‘Ameaçado sob a mira de uma pistola, e tendo minha família como refém, fui obrigado a abrir uma das portas do armazém’’, relatou o gerente Wilson Maia.
Durante cinco horas, a quadrilha carregou quatro carretas Scania, todas de modelo antigo, e de cor laranja. Somente à uma hora da madrugada as carretas saíram em comboio do pátio do extinto IBC, tomando o rumo de Maringá. Mesmo depois que o produto foi carregado, três integrantes da quadrilha permaneceram no local por mais duas horas, mantendo os vigias e as famílias do gerente e do encarregado como reféns.
Para movimentar tal quantidade de carga, Wilson Maia acredita que havia de 25 a 30 homens disponíveis. ‘‘O pessoal deve ser do ramo, por que não é qualquer um que tem jeito para, ou suporta, manusear sacas de 60 quilos de peso’’, avalia. A quadrilha levou duas mil das 520 mil sacas de café depositadas nesse armazém de Jandaia do Sul. No mesmo local, em outro aramazém do extinto IBC, o Governo Federal mantém mais 500 mil sacas estocadas.
No início da tarde de ontem, de acordo com o investigador Mauro Deceni, da Delegacia de Jandaia do Sul, a polícia já tinha pistas da quadrilha. O café roubado é da safra de 1987 e já estava limpo e padronizado para comercialização. Em recente leilão na Bolsa de Mercadorias (Maringá), produto semelhante foi vendido ao preço de R$ 162 a saca.

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